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Ciência e Religião Elsa M. Glover, Ph.D.
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INTRODUÇÃO
Elsa M. Glover doutorou-se em Física pela Universidade de Purdue (USA) e dedicou sua vida à pesquisa e ao ensino universitário dessa matéria. A Dra. Glover foi discípula da The Rosicrucian Fellowship e uma grande estudiosa de astrologia e misticismo cristão; ministrou conferências sobre astrodiagnose e solução de conflitos por métodos aquarianos. "Percepção e Consciência das Dimensões Espaciais" constitui o primeiro capítulo de sua obra "Ciência e Religião", que está integralmente disponível na Web, em Inglês e Espanhol, no site dedicado a seus trabalhos. Tal obra que aborda as relações entre a Ciência e a Religião, um tema de interesse permanente para todo estudante de Ciencias Ocultas está sendo traduzida e estará oportunamente disponível em português em nosso site. I. PERCEPÇÃO E CONSCIÊNCIA DAS DIMENSÕES ESPACIAIS
Alguma vez, você
meditou sobre como o mundo se apresenta aos animais? Que pensará um caracol
após chegar ao extremo de uma folha pela qual vinha se arrastando? Que pensará
uma águia ao ver que um rato escondeu-se em um buraco na terra? Que pensará um
cão ao ver que um automóvel modifica sua aparência ao aproximar-se dele e novamente
a modifica depois de passar por ele e afastar-se? Tais exercícios de
compreensão são inestimáveis não só porque podem nos ajudar a desenvolver
simpatia e, portanto, amor para com os animais (e o amor por todas as criaturas
é algo de muito valor), como também porque a relação que existe entre um animal
e um ser humano pode resultar de um certo modo similar à que existe entre o
homem e seres com capacidade sobre-humana, como Cristo. Portanto, estas
reflexões podem melhorar nossa compreensão sobre os seres superiores. Os cientistas
materialistas observaram que o animal unicelular chamado ameba não tem olhos.
Sua percepção sobre o que está em seu entorno está limitada basicamente a
sentir os objetos com os quais entra em contato. Os anelídeos (vermes) são
capazes de reagir a mudanças de luz e as estrelas-do-mar têm pontos sensíveis
nas pontas de seus braços que podem responder a diferentes graus de iluminação, mas não estão preparados para
a formação de imagens. Os olhos dos insetos podem perceber a luz e a
obscuridade, a direção e o movimento e, em alguns casos, o tamanho, mas não
podem focalizar objetos a distâncias diferentes (embora diversas partes do olho
possam ver coisas próximas ou distantes). A habilidade de focalizar é maior nos
cefalópodes (polvos), peixes e anfíbios pelo desenvolvimento da capacidade de
modificar a distância do cristalino à retina. Isso habilita o olho a focalizar
na retina imagens de objetos a diferentes distâncias. A habilidade de focalizar
encontra-se ainda mais refinada nas serpentes e nos vertebrados superiores com
o desenvolvimento da capacidade de variar a curvatura do cristalino que permite
a acomodação de objetos a diferentes distâncias. Quando estão presentes maiores
habilidades de focalização, torna-se possível fazer um maior número de
distinções visuais. Embora as moscas e os vermes da terra não distingam
tamanho, as mariposas, as baratas, as tartarugas, as galinhas, os ratos e os
macacos podem distinguir áreas de diferentes tamanhos. As abelhas, as vespas,
as mariposas, as tartarugas, os pássaros, os cães, os guaximins e macacos
mostraram habilidade para distinguir diferentes formas planas. Tanto
nos pássaros como nos mamíferos e nos seres humanos, os nervos óticos
entrelaçam parte de suas fibras em seu caminho para o cérebro de modo que cada
retina envia fibras nervosas a ambos os hemisférios cerebrais. Dessa forma, os
campos visuais de ambos os olhos se combinam. As imagens ligeiramente
diferentes dos dois olhos dão juntas a aparência tridimensional aos objetos observados.
Em alguns mamíferos, os olhos estão tão distantes um do outro que o campo de
visão comum a ambos é muito pequeno. Mesmo os animais que dispõem da anatomia
ocular e da estrutura nervosa apropriadas para a visão estereoscópica, têm
habilidade limitada para servirem-se destas estruturas. Os pássaros podem
distinguir formas planas mesmo que não demonstrem reconhecer recipientes
diferentes. Os ratos têm dificuldade para avaliar a distância em que se
encontra uma plataforma (com a finalidade de escolher a mais próxima ou saltar
para plataformas localizadas em distâncias diferentes). Nos seres humanos,
encontra-se muito desenvolvida, sem dúvida, a habilidade para ver claramente os
objetos em profundidade e para perceber as distâncias. Como
a ameba só é consciente de si mesma e das coisas com as quais se põe em
contato, poderíamos dizer que sua percepção do espaço é essencialmente a
percepção de um só ponto, ou seja, percepção de dimensão zero. A passagem de um
estado de percepção a outro é gradual, até o ponto em que algumas formas
intermediárias não se encontram claramente nem em um estado nem em outro. Os
anelídeos e a estrela-do-mar têm algumas características de uma percepção de
dimensão zero (dada sua incapacidade de perceber algo a menos que se ponha em
contato com seus corpos), porém, está neles se desenvolvendo uma leve
percepção da consciência linear na
medida em que podem perceber simultaneamente pontos diferentes de seus corpos.
Os insetos que desenvolveram a habilidade de perceber a direção (embora nem
tamanho nem forma) têm percepção linear, ou seja, unidimensional. Podem ver
algo no exterior e decidir mover-se até o objeto ou separar-se dele. Aqueles
insetos que mostram reconhecer tamanho e forma começam a distinguir
superfícies, o que sugere percepção bidimensional. Esta percepção bidimensional
se acha mais desenvolvida e refinada no peixe, nos anfíbios, nos répteis, nos
pássaros e mamíferos. Os pássaros e mamíferos, com visão estereoscópica mas com
dificuldades de perceber formas tridimensionais, acham-se na transição da
percepção bidimensional para a tridimensional. Nós, seres humanos, temos a
capacidade de reconhecer objetos de variados tamanhos e distâncias. Podemos
perceber simultaneamente a longitude, a profundidade e a altura e, por essa
razão, possuímos percepção tridimensional. Uma
criatura que seja capaz de formar imagens mentais limitadas a um certo número
de dimensões não será capaz de funcionar em um corpo com percepção dimensional
superior àquele número de dimensões, porque chegarão sinais à mente que não
poderão ser processados. Se uma consciência de dimensão zero habitasse um corpo
humano, não poderia imaginar ao mesmo tempo as mãos e os pés e, ao chegarem
simultaneamente sinais de ambas as partes do corpo, esses sinais seriam confundidos.
Para as criaturas capazes de formar imagens mentais de um certo número de
dimensões seria vantajoso ter um corpo ao menos com a mesma capacidade
perceptiva e, assim, termina chegando o tempo em que tais corpos são
construídos, de maneira que, em geral, a dimensão da capacidade perceptiva é
igual à dimensão das imagens que a mente seja capaz de processar e igual à
dimensão da consciência (com algumas exceções que aparecem durante os estados
de transição). Para
uma criatura de consciência zero dimensional, o mundo consiste de um ponto, que
é o único que pode perceber. Qualquer coisa que entre nesse ponto parecerá vir
de nenhuma parte e quando sair do ponto parecerá que deixará de existir. Se tal
criatura fosse se mover sobre uma superfície, digamos uma folha, seria
consciente de um ponto após o outro. Os pontos que tivesse deixado para trás
seriam para ela passado. Os pontos que não tivesse ainda atingido, seriam para
ela o futuro. Nós, entretanto, com a capacidade de ver toda a folha, poderíamos
ver ao mesmo tempo o passado e o futuro da consciência zero dimensional. Para
uma criatura com consciência de uma dimensão, o mundo seria unidimensional.
Nada existe para ela, exceto aquilo que esteja na linha da qual é consciente.
Se algo entra nessa linha, parecerá como se viesse do nada. Se algo sai,
parecerá como se deixasse de existir. Se tal criatura move sua linha de visão,
digamos, girando sua cabeça, verá um número de direções sucessivamente. Sua
rota de percepção traçaria uma linha pela paisagem (como uma linha cruzando uma
fotografia). De novo nós, com nossa visão de dimensão superior veremos de uma
só vez o que a consciência unidimensional percebe como passado e futuro. Para
uma criatura de consciência bidimensional, o mundo se apresenta bidimensional,
como uma fotografia. Tal criatura só concebe um plano de existência. Se olha
uma casa e alguém abre a porta e sai, para sua consciência tal pessoa surge do
nada. Se caminha ao redor da casa, para ela esta parecerá mudar de forma e
características, mesmo que para nós, com nossa consciência superior, vejamos
que a casa tem forma constante. A
consciência zero dimensional vê o mundo como zero dimensional, mas isso não faz
com que o mundo seja zero dimensional. A consciência unidimensional vê o mundo
como unidimensional, mas isso não torna o mundo unidimensional. O mesmo ocorre
para a consciência bidimensional. Ante nossa consciência tridimensional, o
mundo se apresenta como tridimensional, mas isso não exclui a possibilidade de
que haja dimensões superiores. Observemos
que, quando nós, com nossa consciência tridimensional, vemos o mundo de
consciência dimensional inferior, podemos fazer com que as coisas surjam “do
nada” ou desapareçam desse mundo e podemos ver seu passado e seu futuro de uma
só olhada. Através da história, temos tido conhecimento de certas pessoas que
demonstraram essa habilidade em nosso mundo tridimensional. Manifestaram a
habilidade de fazer as coisas aparecerem e desaparecerem, de descrever eventos
passados em que não estiveram presentes e de predizer o futuro (por isso se
chamaram profetas). Cristo foi capaz de criar pães e peixes quando muita gente
deles necessitava (Mateus 14:13-21) e de desaparecer no meio de uma multidão
sem ser visto (Lucas 4:28-30), (João 8:59).
Foi capaz de dizer todo o
passado de pessoas
que via pela
primeira vez (João 1:43-51), (João 4:7-19), e em várias oportunidades Ele
demonstrou conhecer por antecipação que experiências aguardavam a Ele e a Seus
discípulos (Mat. 17:24-27, Mat. 20:18-19, Mat. 26:20-25, Mat. 26:31-35, Luc.
5:1-11). É razoável pensar que a consciência de Cristo e a dos profetas pertenciam à quarta dimensão. Paulo,
em sua carta aos Efésios (3:14-18),
escreveu: “Por isso eu dobro meus joelhos ante ao Pai...que Cristo habite pela
fé em vossos corações e, arraigados e fundamentados no amor, possais
compreender, em união com todos os santos, qual é a largura, a longitude, a
altura e a profundidade”. Paulo incluiu aqui quatro dimensões e deixou
implícito que não só os santos poderiam compreende-las, senão também que nós
seríamos capazes de compreende-las quando Cristo habitasse em nossos corações e
nos voltássemos “arraigados e fundamentados no amor”.
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