ESPIRITUALISMO – CIÊNCIA
Alucinações e Espiritualidade

![]()
Em muitas doenças mentais, há o sintoma alucinação. As alucinações correspondem a percepções sem objeto: as pessoas veem o que não existe ante elas, ouvem o que ninguém lhes diz, sentem cheiro de coisas que não estão presentes e sentem o paladar do que não têm na boca.
Assim sendo, as alucinações podem ser: sensoriais, compreendendo as visuais, as auditivas, as táteis e as cenestésicas, que correspondem à sensibilidade visceral; motoras, compreendendo as verbais, as gráficas e as mistas.
*
Percebemos, de imediato, que tal sintoma, considerado como manifestação mórbida, não passa de supersensibilidade, pondo a pessoa, espontaneamente, em contato com os mundos suprafísicos. Este fenômeno é muito frequente nas crianças, que são taxadas de imaginativas e mentirosas, quando descrevem as suas conversas com companheiros que os adultos não vêem ou se referem à presença de pessoas que os adultos também não vêem.
A criança é um ser supersensível. Só com a idade, à proporção que se vai moldando à civilização, é que vai perdendo essas qualidades psíquicas, para se adaptar ao materialismo da vida dita normal.
A criança nunca deve ser amedrontada nem ofendida. É necessário conversar com ela sempre para conhecer os seus motivos e explicá-los à luz dos conhecimentos sadios e espirituais.
*
As pessoas mais predispostas às alucinações são as do tipo esquizotímico: altas, esguias, inteligentes, sensíveis, de preferência intelectuais. São tidas como sonhadoras, imaginativas, pouco comunicativas e, embora isoladas por uma aparência superficial, possuem, no entanto, vida independente.
As suas vidas estão divididas em duas partes: uma consagrada à atividade social, de aparência normal; outra, mais em harmonia com as tendências de seu eu, que se dedica a atividades especulativas, que lhes proporcionam satisfações superiores, certas curiosidades intelectuais e pesquisas de natureza mística.
Tais pessoas, seres que já viveram muitos renascimentos, têm, em si, possibilidades latentes que podem vir a se desenvolver sem que, na vida atual, estejam conscientes do grande potencial que possuem de se pôr em contato com os mundos superiores.
*
Aliás, Max Heindel, no seu livro O Corpo Vital, explica a doença mental como quebra da cadeia entre o Ego e o Corpo Denso. Vemos, assim, o caráter nitidamente suprafísico da doença mental. Sabemos, por outro lado, que o ser, quando se prepara para novo renascimento, escolhe seu destino. No ardor de evoluir, opta por tarefas as quais, no momento de nascer, não se encontra com ânimo ou coragem para enfrentar. Isso implica em tentativa de retirada dos corpos suprafísicos que, embora ainda não manifestados, já se acham estruturados para o seu desenvolvimento futuro no novo Corpo Denso. Dá-se, então, a quebra nos veículos superiores, mencionada por Max Heindel.
Tal pessoa estará, fatalmente, predisposta às alucinações, como está o pecador que, insistentemente, sente que se lhe repassam pela Mente os atos maus que praticou e imagina as consequências funestas que daí lhe poderão advir.
Um exemplo que muito bem ilustra este fato é o do alcoólatra que, pela ação do álcool, promove um deslocamento nos corpos sutis e põe-se em contato com as regiões inferiores do Mundo do Desejo, dando lugar às terríveis alucinações que fazem parte do quadro do “delirium tremens”.
*
Em outra obra sua, menciona Max Heindel o fato de que aqueles que estão começando a despertar do sono do materialismo são considerados como loucos e perfeitamente em condições de serem conduzidos a um manicômio. Esta opinião vem concordar com a de um eminente psiquiatra, Viktor E. Frankl, que preconiza a incorporação do tratamento espiritual ao tratamento médico, não se detendo a psicoterapia apenas na parte psíquica. Acha ele que os tratamentos psicoterápicos, tal como vêm sendo realizados, representam um vazio no espaço científico da psicoterapia.
Vemos, assim, como se casam, mais
uma vez, espiritualismo e ciência, com opinião fundamentalmente concordante de
representantes desses dois ramos de atividade do pensamento. Com isso, queremos
também frisar que o psiquiatra deve ser um espiritualista, a fim de que não
conduza a manicômios, ou a tratamentos drásticos de doenças mentais, pessoas
que apenas estão começando a despertar do sono do materialismo.
-
Dra. Ophelia Guimarães.
Fonte: Correio Rosacruz, novembro de 1960.
ANEXO
por Olavo de Carvalho
No dia 2 de setembro [de 1997] morreu, aos 92 anos, um dos homens realmente grandes deste século. Acabo de escrever isto e já tenho uma dúvida: não sei se o médico judeu austríaco Viktor Frankl pertenceu mesmo a este século. Pois ele só viveu para devolver aos homens o que o século XX lhes havia tomado - e não poderia fazê-lo se não fosse, numa época em que todos se orgulham de ser "homens do seu tempo", alguém muito maior do que o século.
Viktor Emil Frankl, nascido em Viena em 26 de março de 1905, foi grande nas três dimensões em que se pode medir um homem por outro homem: a inteligência, a coragem, o amor ao próximo. Mas foi maior ainda naquela dimensão que só Deus pode medir: na fidelidade ao sentido da existência, à missão do ser humano sobre a Terra.
Homem de ciência, neurologista e psiquiatra, não foi o estudo que lhe revelou esse sentido. Foi a temível experiência do campo de concentração. Milhões passaram por essa experiência, mas Frankl não emergiu dela carregado de rancor e amargura. Saiu do inferno de Theresienstadt levando consigo a mais bela mensagem de esperança que a ciência da alma deu aos homens deste século.
O que possibilitou esse milagre singular foi a confluência oportuna de uma decisão pessoal e dos fatos em torno. A decisão pessoal: Frankl entrou no campo firmemente determinado a conservar a integridade da sua alma, a não deixar que seu espírito fosse abatido pelos carrascos do seu corpo. Os fatos em torno: Frankl observou que, de todos os prisioneiros, os que melhor conservavam o autodomínio e a sanidade eram aqueles que tinham um forte senso de dever, de missão, de obrigação. A obrigação podia ser para com uma fé religiosa: o prisioneiro crente, com os olhos voltados para o julgamento divino, passava por cima das misérias do momento. Podia ser para com uma causa política, social, cultural: as humilhações e tormentos tornavam-se etapas no caminho da vitória. Podia ser, sobretudo, para com um ser humano individual, objeto de amor e cuidados: os que tinham parentes fora do campo eram mantidos vivos pela esperança do reencontro. Qualquer que fosse a missão a ser cumprida, ela transfigurava a situação, infundindo um sentido ao nonsense do presente. Esse senso de dever era a manifestação concreta do amor - o amor pelo qual um homem se liberta da sua prisão externa e interna, indo em direção àquilo que o torna maior que ele mesmo.
O sentido da vida, concluiu Frankl, era o segredo da força de alguns homens, enquanto outros, privados de uma razão para suportar o sofrimento exterior, eram acossados desde dentro por um tirano ainda mais pérfido que Hitler - o sentimento de viver uma futilidade absurda.
Frankl tinha três razões para viver: sua fé, sua vocação e a esperança de reencontrar a esposa. Ali onde tantos perderam tudo, Frankl reconquistou não somente a vida, mas algo maior que a vida. Após a libertação, reencontrou também a esposa e a profissão, como diretor do Hospital Policlínico de Viena.
Assim ele registra, no seu livro Man's Search for Meaning, uma das experiências interiores que o levaram à descoberta do sentido da vida:
"Um pensamento me traspassou: pela primeira vez em minha vida enxerguei a verdade tal como fora cantada por tantos poetas, proclamada como verdade derradeira por tantos pensadores. A verdade de que o amor é o derradeiro e mais alto objetivo a que o homem pode aspirar. Então captei o sentido do maior segredo que a poesia humana e o pensamento humano têm a transmitir: a salvação do homem é através do amor e no amor. Compreendi como um homem a quem nada foi deixado neste mundo pode ainda conhecer a bem-aventurança, ainda que seja apenas por um breve momento, na contemplação da sua bem-amada. Numa condição de profunda desolação, quando um homem não pode mais se expressar em ação positiva, quando sua única realização pode consistir em suportar seus sofrimentos da maneira correta - de uma maneira honrada -, em tal condição o homem pode, através da contemplação amorosa da imagem que ele traz de sua bem-amada, encontrar a plenitude. Pela primeira vez em minha vida, eu era capaz de compreender as palavras: 'Os anjos estão imersos na perpétua contemplação de uma glória infinita'."
Frankl transformou essa descoberta num conceito científico: o de doenças noogênicas. Noogênico quer dizer "proveniente do espírito". Além das causas somáticas e psíquicas do sofrimento humano, era preciso reconhecer um sofrimento de origem propriamente espiritual, nascido da experiência do absurdo, da perda do sentido da vida: "O homem, dizia ele, pode suportar tudo, menos a falta de sentido."
Das reflexões de Frankl sobre a experiência do absurdo nasceu um dos mais impressionantes sistemas de terapia criados no século dos psicólogos: a logoterapia, ou terapia do discurso - um conjunto de esquemas lógicos usados para desmontar os subterfúgios com que a mente doentia procura eludir a questão decisiva: a busca do sentido.
Mas o sentido não teria o menor poder curativo se fosse apenas uma esperança inventada. A mente não poderia encontrar dentro de si a solução de seus males, pela simples razão de que o seu mal consiste em estar fechada dentro de si, sem abertura para o que lhe é superior. Em vez de criar um sentido, a mente tem de submeter-se a ele, uma vez encontrado. O sentido não tem de ser moldado pela mente, mas a mente pelo sentido. O sentido da vida, enfatiza Frankl, é uma realidade ontológica, não uma criação cultural. Frankl não dá nenhuma prova filosófica desta afirmativa, mas o caminho mesmo da cura logoterapêutica fornece a cada paciente uma evidência inequívoca da objetividade do sentido da sua vida. O sentido da vida simplesmente existe: trata-se apenas de encontrá-lo.
Universal no seu valor, individual no seu conteúdo, o sentido da vida é encontrado mediante uma tenaz investigação na qual o paciente, com a ajuda do terapeuta, busca uma resposta à seguinte pergunta: Que é que eu devo fazer e que não pode ser feito por ninguém, absolutamente ninguém exceto eu mesmo? O dever imanente a cada vida surge então como uma imposição da estrutura mesma da existência humana. Nenhum homem inventa o sentido da sua vida: cada um é, por assim dizer, cercado e encurralado pelo sentido da própria vida. Este demarca e fixa num ponto determinado do espaço e do tempo o centro da sua realidade pessoal, de cuja visão emerge, límpido e inexorável, mas só visível desde dentro, o dever a cumprir.
Em vez de dissolver a individualidade humana nos seus elementos, mediante análises tediosas que arriscam perder-se em detalhes irrelevantes, a logoterapia busca consolidar e fixar o paciente, de imediato, no ponto central do seu ser, que é, e não por coincidência, também o ponto mais alto. Eis aí por que é inútil buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é uma máxima uniforme, válida para todos - é a obrigação imanente que cada um tem de transcender-se. Discutir o sentido da vida sem realizá-lo seria negá-lo; e, uma vez que começamos a realizá-lo, já não é preciso discuti-lo, porque ele se impõe com uma evidência que até a mente mais cínica se envergonharia de negar.
A logoterapia tem uma imponente folha de sucessos clínicos. Porém mais significativa do que suas aplicações médicas talvez seja a função que ela desempenhou e desempenha - a missão que ela cumpre - no panorama da cultura moderna. Num século que tudo fez para deprimir o valor da consciência humana, para reduzi-la a um epifenômeno de causas sociais, biológicas, lingüisticas, etc., Frankl nadou na contracorrente e ninguém conseguiu detê-lo. Ninguém: nem os guardas do campo nem as hostes inumeráveis de seus antípodas intelectuais - os inimigos da consciência. Frankl apostou no sentido da vida e na força cognoscitiva da mente individual. Apostou nos dois azarões do páreo filosófico do século XX, desprezados por psicanalistas, marxistas, pragmatistas, semióticos, estruturalistas, desconstrucionistas - por todo o pomposo cortejo de cegos que guiam outros cegos para o abismo. Apostou e venceu. A teoria da logoterapia resistiu bravamente a todas as objeções, sua prática se impôs em inúmeros países como o único tratamento admissível para os casos numerosos em que a alma humana não é oprimida por fantasias infantis mas pela realidade da vida. Por isto mesmo a crítica cultural de Frankl, parte integrante de uma obra onde o médico e o pensador não se separam um momento sequer, tem um alcance mais profundo do que todas as suas concorrentes. Desde seu posto de observação privilegiado, ele pôde enxergar o que nenhum intelectual deste século quis ver: a aliança secreta entre a cultura materialista, progressista, democrática, cientificista, e a barbárie nazista. Aliança, sim: seria apenas uma coincidência que o século mais empenhado em negar nas teorias a autonomia e o valor da consciência também fosse o mais empenhado em criar mecanismos para dirigi-la, oprimi-la e aniquilá-la na prática? Dirigindo-se a um público universitário norte-americano, Viktor Frankl pronunciou estas palavras onde a lucidez se alia a uma coragem intelectual fora do comum:
"Não foram
apenas alguns ministérios de Berlim que inventaram as câmaras de gás de
Maidanek, Auschwitz, Treblinka: elas foram preparadas nos escritórios e salas de
aula de cientistas e filósofos niilistas, entre os quais se contavam e contam
alguns pensadores anglo-saxônicos laureados com o Prêmio Nobel. É que, se a vida
humana não passa do insignificante produto acidental de umas moléculas de
proteína, pouco importa que um psicopata seja eliminado como inútil e que ao
psicopata se acrescentem mais uns quantos povos inferiores: tudo isto não é
senão raciocínio lógico e conseqüente." (Sêde de Sentido, trad. Henrique Elfes,
São Paulo, Quadrante, 1989, p. 45.)
Com declarações desse tipo, ele pegava pela goela os orgulhosos intelectuais denunciadores da barbárie e lhes devolvia seu discurso de acusação, desmascarando a futilidade suicida de teorias que não assumem a responsabilidade de suas conseqüências históricas. Pois o mal do mundo não vem só de baixo, das causas econômicas, políticas e militares que a aliança acadêmica do pedantismo com o simplismo consagrou como explicações de tudo. Vem de cima, vem do espírito humano que aceita ou rejeita o sentido da vida e assim determina, às vezes com trágica inconseqüencia, o destino das gerações futuras.
Frankl era judeu, como foram judeus alguns dos criadores daquelas doutrinas materialistas e desumanizantes que prepararam, involuntariamente, o caminho para Auschwitz e Treblinka. Se ele pôde ver o que eles não viram, foi porque permaneceu fiel à liberdade interior que é a velha mensagem do Sentido em busca do homem: "SE ME ACEITAS, Israel, Eu sou o Teu Deus."
08/10/97
(Publicado na revista Bravo! de novembro de 1997)

|
Documento Histórico Edição do CORREIO ROSACRUZ divulgando um Ciclo de Conferências Públicas Rosacruzes. Na foto, palestrando, a Dra. Ophélia Guimarães, compondo a mesa com a Sra. Irene Gómez Ruggiero, ao centro, e o Sr. Roberto Ruggiero, a direita. Na coluna da equipe do Correio, a Dra. Ophélia Guimarães compõe com a Sra. Irene Gómez Rugiero, a equipe de redatores principais. |
PÁGINAS RELACIONADAS EM NOSSO SITE
Ciência &
Religião, Dra. Elsa Margaret
Glover
A Visão Etérica e o que Revela por uma Probacionista
A Astrologia e as Glândulas Endócrinas, por Augusta Foss Heindel. Introdução de Manly P.
Hall.
O Mistério das Glândulas Endócrinas por um Probacionista
Vegetarianismo: a solução para uma vida e um mundo melhor, por Delmar Domingos de Carvalho
![]()
![]()
[Home][Fundamentos][Atividades] [Literatura][Temas Rosacruzes][Biblioteca Online][Informações]
Fraternidade Rosacruz Max Heindel - Centro Autorizado do Rio de Janeiro
Rua Enes de Souza, 19 Tijuca, Rio de Janeiro, R.J. Brasil 20521-210
Telefone celular: (21) 9548-7397
Filiado a The Rosicrucian Fellowship
Mt. Ecclesia, Oceanside , CA, USA
Copyright(c) Fraternidade Rosacruz. Todos os direitos
reservados.