INICIAÇÃO ANTIGA E MODERNA
Max Heindel

SUMÁRIO
O Místico significado da Sala Leste e seu Mobiliário
Sala Leste - O LUGAR SANTO e a Sala Oeste - O SANCTUM SANCTORUM
"A Sombra das Boas Coisas que Virão"
A Lua Cheia como um fator de crescimento anímico
A Anunciação e a Imaculada Concepção
A Anunciação e a Imaculada Concepção
O conteúdo deste livro apresenta algumas das gemas mais preciosas em relação aos profundos aspectos da religião cristã. São elas o resultado das investigações espirituais do inspirado e iluminado Max Heindel, o mensageiro autorizado dos Irmãos Maiores da Rosacruz, os quais estão trabalhando para disseminar por todo o Mundo Ocidental, o intenso significado espiritual que está ao mesmo tempo oculto e revelado na religião cristã.
Os vários e importantes passos que marcam a vida de nosso Salvador, Cristo Jesus, formam o plano geral da Iniciação da humanidade. Nesta obra, Max Heindel oferece-nos uma visão mais completa e mística deste processo alquímico que se realiza no corpo humano. Somos "um pouco menos que os anjos... e não demonstramos ainda o que chegaremos a ser".
Este volume será um acréscimo valioso às bibliotecas e organizações religiosas de todo o mundo. Fará soar uma nova melodia para inspiração e encorajamento dos que trabalham em Seu nome.
A Fraternidade Rosacruz possui uma herança inestimável pela oportunidade de promulgar, nesta época tumultuada da evolução espiritual dos homens e das nações, os ensinamentos esotéricos pertencentes à Igreja Cristã. "A quem muito é dado, muito será exigido". Portanto, é com espírito de reverência e humildade que a Fraternidade Rosacruz coloca os inestimáveis ensinamentos deste livro a serviço da humanidade.
Possa sua Verdade iluminar, sua Sabedoria guiar, e seu Amor envolver todos aqueles que participam desta Água da Vida. E que cada um que se aproximar para beber dela, possa encontrar o Iluminado Caminho que aqui esboçamos.
"O reino de Deus é semelhante a um mercador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma de grande valor, vende tudo que possui para comprá-la".
O Antigo Templo de Mistérios Atlante
DESDE que a humanidade - os filhos pródigos espirituais de nosso Pai Celestial - perambulou pelos desertos do mundo e se alimentou dos prazeres que destroem a alma - como a fome destrói o corpo - existe no coração do homem uma voz silenciosa que o chama de volta ao lar. Entretanto, muitas pessoas estando totalmente absorvidas por interesses materiais, não podem ouvi-Ia. O Maçom Místico que ouviu essa voz interior, sente um impulso interno para procurar a Palavra Perdida e construir a casa de Deus, um templo do espírito, onde possa encontrar-se com o Pai, face a face, e responder ao Seu chamado.
Ele não está só nessa busca, pois o nosso Pai Celestial preparou para todos um caminho com indicações que nos levarão até Ele, se seguirmos essa direção. No entanto, como esquecemos a divina Palavra e seríamos incapazes de compreender o seu significado, o Pai fala-nos na linguagem simbólica que, ao mesmo tempo, encobre e revela as verdades espirituais que devemos entender antes de voltarmos a Ele. Do mesmo modo como oferecemos aos nossos filhos livros com gravuras para revelar-lhes conceitos incompreensíveis às suas mentes infantis, assim também cada símbolo dado pôr Deus tem um profundo significado, incompreensível se não fosse exemplificado dessa maneira.
Deus é espírito e em espírito deve ser adorado. Por isso, é totalmente desnecessário tentar idealizar uma forma material d'Ele, pois nada que imaginarmos conduziria a uma idéia adequada. Mas, do mesmo modo que saudamos a bandeira de nosso país com alegria e entusiasmo porque desperta em nós os sentimentos mais ternos pelo lar e por nossos entes queridos e, em conseqüência, suscita os nossos mais nobres impulsos por ser um símbolo de tudo que mais prezamos, assim também agem os diferentes símbolos divinos dados à humanidade de tempos em tempos, aquele acervo de verdades que já estão em nossos corações e despertam nossa consciência para as idéias divinas que transcendem as palavras. Contudo, o simbolismo, que realizou um papel importante em nossa evolução passada, é ainda uma necessidade primordial em nosso desenvolvimento espiritual. Daí a conveniência de estudá-lo com nosso coração e nosso intelecto.
É óbvio que, assim como nossa atitude mental de hoje depende de como pensamos ontem, também nossa condição e circunstâncias no presente dependem de como trabalhamos ou negligenciamos no passado. Cada novo pensamento ou idéia que nos chegam, devem ser considerados sob a luz de nossas experiências anteriores, e assim compreendemos que o nosso presente e o nosso futuro são determinados por vivências passadas. De modo semelhante, o caminho para o desenvolvimento espiritual que palmilhamos em existências passadas, determina nossa atitude presente e a rota que devemos seguir a fim de atingir nossas aspirações. Por isso, não podemos obter qualquer perspectiva verdadeira de nosso futuro desenvolvimento, enquanto não nos familiarizarmos primeiramente com o passado.
É em reconhecimento desse fato que a Maçonaria moderna retrocede ao templo de Salomão. Mas, com o objetivo de obter uma perspectiva mais ampla, devemos considerar também o antigo Templo de Mistérios Atlante, o Tabernáculo no Deserto. Devemos entender a importância pertinente àquele Tabernáculo e também a do primeiro e segundo Templos, pois havia diferenças vitais entre eles, sendo cada um dotado de significado cósmico próprio. Mas, dentro de todos eles projetava-se a sombra da Cruz, salpicada com Sangue que se converteu em Rosas.
Lemos na Bíblia, a história de como Noé e o remanescente de seu povo, salvos com ele no dilúvio, formaram o núcleo da humanidade da Idade do Arco-íris, na qual vivemos agora. Também se afirma que Moisés conduziu seu povo para fora do Egito, para a terra do Touro, Taurus, através das águas que tragaram seus inimigos. Levou seu povo a salvo, como um povo escolhido, para adorar o Cordeiro, Aries, em cujo signo o Sol entrava por precessão dos equinócios. Estas duas narrativas referem-se ao mesmo incidente, conhecido como a emersão da humanidade infantil do submerso Continente Atlante à presente idade dos ciclos alternantes, onde verão e inverno, dia e noite, fluxo e refluxo sucedem-se ininterruptamente. A humanidade, que acabava de ser dotada com a mente, começou a notar a perda da visão espiritual que possuía até então, e sentiu saudades do mundo espiritual e de seus guias divinos, nostalgia que permanece até os dias atuais. Os homens nunca cessaram de lastimar essa perda. No entanto, o antigo Templo de Mistérios Atlante, o Tabernáculo no Deserto, foi-lhes dado para que pudessem encontrar Deus quando se qualificassem pelo serviço e tivessem subjugado a natureza inferior pelo Eu Superior. Designado por Jeová, representava a incorporação de grandes verdades cósmicas ocultas pelo véu do simbolismo, o qual falava à natureza interna ou Eu Superior.
Em primeiro lugar, é digno de nota que este Tabernáculo, delineado por ordem divina, tenha sido dado a um povo escolhido, que deveria construi-lo graças a ofertas voluntárias doadas com prazer e devoção. Reconhecemos aqui uma lição especial, segundo a qual o modelo divino do caminho para o progresso nunca é dado àquele que não fez primeiro uma aliança com Deus, prometendo servi-Lo, oferecendo-Lhe o sangue de seu coração numa vida de serviço sem egoísmo. O termo "Maçom" deriva de phree messen, um termo egípcio que significa "Filhos da Luz". Na linguagem maçônica, Deus é conhecido como o Grande Arquiteto. Arche é uma palavra grega que significa "substância primordial". Tekton em grego significa construtor. Diz-se que José, o pai de Jesus, era um "carpinteiro", mas a palavra grega é tekton, um construtor. Diz-se também que Jesus era um "tekton", um construtor. Desse modo, cada verdadeiro Maçom Místico é um filho da luz, um construtor, esforçando-se por edificar o templo místico de acordo com o modelo divino que lhe foi dado por nosso Pai no Céu. A esse fim ele dedica todo o seu coração, alma e mente. Sua aspiração é, o(deveria ser, "tornar-se o maior no reino de Deus" e para isso ele deve ser o servo de todos.
O próximo ponto digno de nota é a localização do Templo com relação aos pontos cardeais, e observamos que foi colocado na direção de leste para oeste. Assim, vemos que o caminho da evolução espiritual é o mesmo do Sol: vai de leste para oeste. O aspirante entrava pela porta do leste e seguia até o Altar dos Sacrifícios, o Altar de Bronze; depois continuava até o Lugar Santo, na parte mais oeste do Tabernáculo, onde a Arca, o maior dos símbolos, estava colocada no Sanctum-Sanctorum. Assim como os sábios do Oriente seguiram a estrela do Cristo em direção ao oeste até Belém, assim também o centro espiritual do mundo civilizado caminha sempre para o oeste, e hoje, a onda espiritual, que começou na China nas praias ocidentais do Pacífico, chegou agora às praias orientais do mesmo oceano, onde está reunindo forças para erguer-se uma vez mais através de sua cíclica jornada pelas águas, para recomeçar, num futuro distante, uma nova jornada cíclica ao redor da Terra.
A natureza ambulante deste Tabernáculo no Deserto é, portanto, uma excelente representação simbólica da natureza migratória do homem, um eterno peregrino, passando sempre do limite do tempo à eternidade, para voltar novamente. Como um planeta revoluteia em sua jornada cíclica ao redor do sol primitivo, assim também o homem, o pequeno mundo ou microcosmo, viaja numa dança cíclica ao redor de Deus, a fonte e a meta de tudo.
O grande cuidado e atenção aos detalhes relativos à construção do Tabernáculo no Deserto, mostra que existe algo, muito além do que a visão alcança, que se intentou na sua construção. Sob a aparência material e terrena estava esquematizada uma representação de fatos celestiais e espirituais que continham instruções aos candidatos à Iniciação. Não deveria esta reflexão estimular-nos a procurar uma ligação familiar mais íntima com este antigo santuário? Certamente ele nos exorta a considerar todas as partes do seu plano com atenção e reverência, recordando, a cada passo, a origem divina de todo ele, e humildemente almejar penetrar, através das sombras dos serviços terrenos, na sublime e gloriosa realidade espiritual, à qual, de acordo com a sabedoria do espírito, se oferece para nossa solene contemplação.
Para que possamos alcançar uma correta concepção desse lugar sagrado, devemos considerar o Tabernáculo em si mesmo, seu mobiliário e seu átrio. A ilustração da página 29 pode ajudar o estudante a formar uma melhor concepção do interior dele.
Era um cercado que circundava o Tabernáculo. Seu comprimento era o dobro da sua largura e a entrada localizava-se a leste. Essa entrada era cercada por uma cortina de linho fino entrelaçado nas cores azul, vermelho e púrpura, cores que nos indicam a importância deste Tabernáculo no Deserto. No sublime Evangelho de João, aprendemos que: "Deus é Luz", e nenhuma outra descrição ou similaridade pode transmitir tão bela concepção ou maior iluminação para nossa mente espiritual do que essas palavras. Se considerarmos que até os mais poderosos telescópios falham ao tentar atingir os limites da luz, apesar de penetrarem no espaço milhões e milhões de quilômetros, essa afirmação dá-nos uma fraca mas compreensível idéia da infinidade de Deus.
Sabemos que essa Luz, que é Deus, se refrata nas três cores primárias que circundam o nosso planeta -azul, amarelo e vermelho. E é um fato do conhecimento de todo ocultista que o raio do Pai é azul; o do Filho é amarelo e o do Espírito Santo é vermelho. Somente o raio mais forte e mais espiritual tem possibilidade de penetrar o centro da consciência da onda de vida do reino mineral e, por isso, vemos o raio azul do Pai refletindo-se nas brumas das campinas, suspenso como um nevoeiro sobre as montanhas e refletindo-se no fundo dos abismos. O raio amarelo do Filho, mesclado ao azul do Pai, dá vida e vitalidade às plantas, que devolvem uma cor verde por incapacidade de reter os raios dentro de si. Mas, no reino animal, ao qual anatomicamente pertence o homem ainda não regenerado, os três raios são absorvidos e o raio do Espírito Santo imprime-lhe a cor vermelha da sua carne e do seu sangue. A mescla do azul e vermelho evidencia-se na cor púrpura do sangue envenenado pelos múltiplos pecados. Mas o amarelo não se manifestará como corpo-alma, até que o "Dourado Manto Nupcial" da noiva mística do Cristo místico seja emanado de dentro.
Por isso, as cores dos véus do Templo, tanto no portão como na entrada do Tabernáculo, mostravam que essa estrutura foi projetada num período anterior à vinda do Cristo, pois continha somente as cores azul do Pai e vermelha do Espírito Santo, que juntas formam a cor púrpura. Mas o branco é a síntese de todas as cores, portanto, o raio amarelo de Cristo achava-se oculto nessa parte do véu até a chegada do Cristo, que veio para emancipar-nos desses regulamentos e leis e iniciar-nos na plena liberdade dos Filhos de Deus, Filhos da Luz, Maçons livres ou Maçons Místicos.
O Altar de Bronze estava localizado no átrio, no lado de dentro do portão oriental, e era usado para o sacrifício de animais durante o serviço do templo. A idéia, de usar bois e cabras no sacrifício parece-nos uma barbaridade, e não podemos compreender que eficácia poderia haver nesse procedimento. A Bíblia confirma esse ponto de vista, quando diz que Deus não deseja sacrifícios e sim um espírito arrependido e um coração contrito, pois Ele não sente prazer nos sacrifícios de sangue. A vista desse fato, parece estranho que os sacrifícios tenham sido determinados. Contudo, devemos considerar que nenhuma religião pode elevar aqueles a quem determinados ensinamentos estão designados, se estiverem distantes de seu entendimento intelectual ou moral. Para um bárbaro, a religião deve ter certos traços bárbaros. Uma religião de amor não seria atraente para esse povo, por isso, foi-lhe dada uma lei que exigia "olho por olho e dente por dente". No Velho Testamento não há menção da imortalidade, porque essas pessoas não poderiam entender um céu, nem aspirá-lo. Amavam as posses materiais e, por isso, foram instruídas que, se procedessem corretamente, elas e sua descendência habitariam na terra para sempre e seu gado se multiplicaria, etc., etc.
Adoravam as posses materiais e sabiam que o crescimento de seus rebanhos ocorria pela graça de Deus, e os favores concedidos por Ele eram uma decorrência dos méritos de cada um. Agiam corretamente na esperança de uma recompensa neste mundo. Também eram dissuadidos de praticar o mal, e ensinavam-lhes que uma punição imediata ocorreria como conseqüência dos seus pecados. Era o único processo que entendiam. Não poderiam fazer o bem pelo sentido do próprio bem, nem poderiam entender o princípio de se tornarem eles próprios "sacrifícios vivos", e provavelmente sofriam tanto a perda de um animal quando cometiam pecado, como nós sofremos as dores da consciência pelos nossos erros.
O Altar era feito de bronze, um metal não encontrado na natureza, que consistia de uma liga de cobre e zinco feita pelo homem. Simbolicamente é mostrado que o pecado não estava previsto em nosso esquema evolutivo, constituindo uma anomalia na natureza tanto quanto suas conseqüências, isto é, a dor e a morte simbolizadas pelas vítimas sacrificadas. Enquanto o Altar foi feito de um metal artificialmente composto, o fogo que ardia sempre sobre ele era de origem divina e conservado aceso de ano para ano com o mais perfeito zelo. Nenhum outro fogo jamais foi usado, e podemos mencionar, como exemplo, o caso de dois sacerdotes presunçosos e rebeldes que ousaram desobedecer essas ordens usando um fogo estranho. Em conseqüência, encontraram morte horrível e instantânea. Também para nós, uma vez que tenhamos feito o juramento de aliança com o Mestre Místico, o Eu Superior, será extremamente perigoso desprezar os preceitos que nos foram dados.
Quando o candidato aparece na porta oriental, encontra-se "pobre, nu e cego". Naquele momento é uma pessoa que inspira pena, necessitando ser vestida e trazida para a luz. No entanto, isto não pode ser realizado imediatamente no Templo místico.
Durante o período de sua marcha, da completa nudez até receber as vestes sacerdotais, há uma longa e difícil caminhada. A primeira lição que lhe é ensinada é que o homem progride somente através de sacrifícios. Na Iniciação Mística Cristã, quando o Cristo lava os pés de Seus discípulos, a explicação dada é que se não fosse pela decomposição dos minerais que alimentam o reino vegetal, não haveria vegetação; se não houvessem vegetais para a alimentação dos animais, estes não poderiam sobreviver, e assim sucessivamente. O superior necessita sempre de se sustentar no inferior. Por esse motivo, o homem tem uma dívida contraída para com eles e, como conseqüência, o Mestre lava os pés de Seus discípulos, simbolizando, nesse serviço humilde, o reconhecimento de que eles O haviam servido como um degrau para que pudesse alcançar algo superior.
De modo semelhante, quando o candidato é levado ao Altar de Bronze, aprende a lição que o animal é sacrificado em seu benefício, dando o seu corpo para a alimentação e sua pele para a vestimenta. Além disso, ele vê a nuvem densa de fumaça flutuando sobre o Altar e percebe dentro dela uma luz, mas esta é muito tênue e tão envolvida pela fumaça que não lhe serve como guia permanente. Seus olhos espirituais são fracos, portanto, ele não deve expô-los imediatamente ã luz das mais elevadas verdades espirituais.
O apóstolo Paulo ensinou-nos que o Tabernáculo no Deserto era "uma sombra das boas coisas que virão". Por esse motivo, deve ser interessante e proveitoso ao candidato que vem ao Templo nos tempos atuais, compreender o significado do Altar de Bronze com os sacrifícios e a queima da carne. Para que possamos entender esse mistério, precisamos primeiramente absorver a grande idéia, absolutamente essencial, que o fundamento de todo misticismo verdadeiro está dentro de nós e não fora de nós. Angelus Silésius diz a respeito da Cruz:
"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida. Em vão olharás a Cruz do Gólgota A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida".
Esta idéia deve ser aplicada a cada símbolo e a cada fase da experiência mística. Não é ó Cristo externo que salva, mas o Cristo Interno. O Tabernáculo foi construído em determinada época, como pode ser visto claramente na Memória da Natureza por aqueles cuja visão interior está suficientemente desenvolvida; porém, ninguém deve esperar qualquer ajuda do símbolo externo. Devemos construir o Tabernáculo dentro de nossos corações e de nossa consciência. Devemos vivenciar, como uma real experiência interna, o ritual completo do serviço lá demonstrado. Devemos ser ambos: o Altar dos Sacrifícios e o animal sacrificado sobre ele. Devemos ser igualmente o sacerdote que imola o animal e o próprio animal imolado. Mais tarde, aprenderemos simultaneamente a identificar-nos com o Lavabo místico e a lavar-nos em espírito dentro dele. Em seguida, devemos entrar por detrás do primeiro véu, servir na Câmara Oriental, e prosseguir através de todo serviço do Templo até tornarmo-nos o maior de todos esses antigos símbolos, a Glória de Shekinah, ou isto de nada nos servirá. Em resumo, antes que o símbolo do Tabernáculo nos possa realmente ajudar, devemos transferi-lo do espaço do deserto para um lar no nosso coração. Ao convertermo-nos no todo que aquele símbolo representa, teremos alcançado o verdadeiro significado da espiritualidade.
Comecemos a construir em nosso coração o Altar dos Sacrifícios, primeiramente para que nele possamos imolar nossas más ações e também expiá-las na crucificação do remorso. Isto se realiza, no moderno sistema de preparação para o discipulado, por um exercício que se executa à noite, e que foi cientificamente designado pelos Hierofantes da Escola de Mistérios Ocidental para crescimento do aspirante no caminho que conduz ao discipulado. Outras escolas de mistérios ensinaram exercícios similares, mas este difere de todos os métodos anteriores num ponto particular. Depois da explanação do exercício, daremos a razão desta grande e importante diferença.
Este método especial tem um alcance tão duradouro e efetivo, que capacita as pessoas a aprender agora, não somente as lições comuns da vida, mas a alcançar um desenvolvimento que, de outro modo, só poderia ser atingido através de muitos renascimentos.
A noite, quando nos retiramos para descansar, devemos relaxar completamente o corpo. É muito importante que assim se faça, pois se alguma parte do corpo permanecer tensa, o sangue não poderá circular livremente e ficará sob pressão. Como todo desenvolvimento espiritual depende do sangue, o esforço para atingir o crescimento anímico não será alcançado enquanto qualquer parte do corpo estiver sob tensão.
Quando esse completo relaxamento é alcançado, o aspirante à vida superior começa a rever as cenas do dia, e essa retrospecção deve ser iniciada com as ocorrências da noite, depois as da tarde, terminando com as da manhã, isto é, ele as revive em ordem inversa: primeiro as cenas da noite, seguem-se as da tarde e por fim as da manhã. A razão disto é que no instante do nascimento, quando a criança inala a sua primeira respiração, o ar inspirado pelos pulmões carrega um quadro do mundo exterior e, conforme o sangue flui pelo ventrículo esquerdo do coração, cada cena fica gravada, minuto por minuto, no átomo-semente ali localizado. Cada inspiração traz consigo novas imagens que ficam gravadas naquele pequeno átomo-semente, um registro de cada cena e de cada ação praticada durante toda a nossa vida, desde o primeiro alento até o último suspiro. Após a morte, esses registros formam a base de nossa existência purgatorial. Sob as condições do mundo espiritual, sofremos dores de consciência tão agudas que são inacreditáveis. Sofremos pelos erros cometidos, e assim nos sentimos desencorajados de repeti-los. Do mesmo modo, a alegria pelos bons atos praticados impele-nos a seguir o caminho da virtude em vidas futuras. Porém, na existência "post-mortem", esse panorama é revisto na ordem inversa a fim de mostrar primeiramente os efeitos e depois as causas que as geraram. Isso para que o espírito possa aprender como a Lei de Causa e Efeito funciona na vida. Por esse motivo, o aspirante, que está sob a orientação científica dos Irmãos Maiores da Rosacruz, recebe ensinamentos para realizar os exercícios noturnos na ordem inversa, julgando-se diariamente e assim escapar do sofrimento do purgatório após a morte. Mas devemos ter consciência de que não haverá mérito algum se contemplarmos passivamente os atos do dia. Não é suficiente rever uma cena em que tenhamos ofendido alguém e dizer simplesmente: "Sinto muito o que fiz, desejaria nunca tê-lo feito". Nesse momento, deveríamos considerar que somos o animal sacrificado jazendo sobre o Altar dos Sacrifícios. A menos que consigamos sentir em nosso coração o divino fogo ardente do remorso queimando até o mais profundo de nosso ser, devido aos males praticados durante o dia, nada alcançaremos.
Durante a antiga dispensação, todas as oferendas a serem sacrificadas eram friccionadas com sal antes de colocadas no Altar dos Sacrifícios. Todos sabemos como dói e queima quando acidentalmente algum sal cai num ferimento recente. Esse salgamento nos sacrifícios dos Antigos Templos de Mistérios simbolizava a intensidade da dor que devemos sentir quando nós, como sacrifícios vivos, colocar-nos sobre o Altar dos Sacrifícios. É o sentimento do remorso, o profundo e sincero arrependimento pelo que fizemos, que erradica o registro do átomo-semente, deixando-o limpo e sem manchas. Assim como na antiga dispensação os transgressores eram perdoados quando traziam uma oferenda para ser queimada e depositada no Altar dos Sacrifícios, assim também nós, nos tempos atuais, pelo caráter científico do exercício de retrospecção, eliminamos o registro de nossos pecados. É uma conclusão lógica que não poderemos continuar, noite após noite, a executar esse sacrifício vivo sem nos tornarmos melhores, porque devemos deixar, pouco a pouco, de cometer os erros dos quais nos culpamos no exercício noturno. Por isso, em acréscimo à eliminação de nossas faltas, o exercício leva-nos a um nível mais alto de espiritualidade que, de outra forma, não poderíamos alcançar em nossa atual vida terrestre.
Também é interessante notar que quando uma pessoa cometia um grave crime e chegava ao santuário, encontrava proteção à sombra do Altar dos Sacrifícios, pois, ali, somente o divino fogo ardente podia julgar. Ela escapava das mãos dos homens, mas colocava-se nas mãos de Deus. De modo semelhante, o aspirante que reconhece suas faltas todas as noites aproximando-se do altar do julgamento vivente, alcança também o santuário pela Lei de Causa e Efeito, e "mesmo que seus pecados sejam escarlates, ficarão tão brancos como a neve".

O Lavabo de Bronze era uma grande bacia sempre cheia de água. Diz-se na Bíblia, que ela ficava apoiada às costas de 12 bois também feitos de bronze, sendo que suas partes traseiras estavam voltadas para o centro do recipiente. Entretanto, na Memória da Natureza, vê-se que esses animais não eram bois, mas representações simbólicas dos doze signos do zodíaco. Naquele tempo, a humanidade estava dividida em doze grupos, um para cada signo zodiacal. Cada animal simbólico atraía um raio particular e, tal como a água benta usada atualmente nas igrejas católicas é magnetizada pelo padre durante a cerimônia da consagração, também a água deste Lavabo era magnetizada pelas Divinas Hierarquias que guiavam a humanidade.
Não pode haver dúvida quanto ao poder da água santa preparada por uma personalidade forte e magnética. Ela transfere para a água os eflúvios do seu corpo vital, e as pessoas ao usá-la tornam-se suscetíveis ao seu efeito' de acordo com o grau de sensibilidade de cada uma. Assim também, a água do Lavabo de Bronze no antigo Templo de Mistérios Atlante era magnetizada por Hierarquias Divinas de imensurável poder, e tornava-se potente fator para guiar o povo de acordo com os desejos desses poderosos regentes. Por isso, os sacerdotes sujeitavam-se perfeitamente aos mandatos e ordens de seus guias espirituais invisíveis e, através deles, o povo era guiado cegamente. Era exigido dos sacerdotes que lavassem as mãos e os pés antes de adentrar nos recintos sagrados do Tabernáculo. Se essa ordem não fosse obedecida, a morte atingia imediatamente o sacerdote quando entrasse no Tabernáculo. Portanto, podemos dizer que a palavra-chave do Altar de Bronze era "justificação", enquanto que a idéia central do Lavabo de Bronze era "consagração".
"Muitos são chamados e poucos os escolhidos". Temos o exemplo daquele jovem rico que foi até Cristo querendo saber o que deveria fazer para ser perfeito. Ele assegurava que cumpria a Lei, mas quando Cristo lhe ordenou: "Segue-Me", ele não o fez, porque possuía muitas riquezas que o retinham e precisava cuidar delas. Como a grande maioria, ele ficaria feliz se pudesse somente escapar à condenação e, como os outros, era demasiadamente tíbio para esforçar-se em alcançar o merecimento através do 'serviço amoroso e desinteressado. O Lavabo de Bronze é o símbolo da santificação e da consagração da vida ao serviço. Assim como Cristo iniciou seus três anos de ministério através do batismo pela água, assim também o aspirante ao serviço no antigo Templo devia santificar-se na corrente sagrada que fluía do Mar Fundido. E o Maçom místico, almejando construir um templo "sem ruído de martelo" para nele servir, deve também consagrar-se e santificar-se. Deve deixar toda posse terrena para poder seguir o Cristo Interno. No entanto, pode conservar suas posses materiais usando-as com fé e sabedoria, como um sagrado depósito que lhe é confiado. E devemos estar realmente prontos para seguir o Cristo interno quando Ele disser: "Segue-Me", mesmo que a sombra da cruz surja negra no final do caminho. Sem esta última renúncia da vida pela Luz, pelas propostas superiores, não pode haver progresso. Do mesmo modo que o Espírito desceu sobre Jesus quando Ele emergiu da água batismal da consagração, também o Maçom místico,
que se banha no lavabo do Mar Fundido, começa a ouvir suavemente a voz do Mestre dentro de seu próprio coração, instruindo-o nos segredos do Ofício que deverá desempenhar em benefício de seus semelhantes.
Depois de ter subido os primeiros degraus do caminho, o aspirante encontra-se em frente ao véu que pende diante do templo místico. Aproximando-se desse lado, ele entra na Sala Leste do Santuário, chamado Lugar Santo. Não havia janelas ou quaisquer aberturas no Tabernáculo para deixar penetrar a luz do dia, mas esta sala nunca estava escura. Noite e dia era brilhantemente iluminada por lamparinas.
Seu mobiliário era o símbolo do método pelo qual o aspirante podia adquirir o crescimento da alma pelo serviço. Consistia de três peças principais: o Altar do Incenso, a Mesa dos Pães da Proposição e o Candelabro de Ouro, do qual procediam as luzes.
Não era permitido ao israelita comum entrar nesse lugar sagrado e nem contemplar os objetos. Ninguém, a não ser o sacerdote, podia passar pelo véu externo e entrar nessa primeira sala. O Candelabro de Ouro estava colocado na parte sul do Lugar Santo, de modo que se encontrava do lado esquerdo da pessoa que estivesse no meio da sala. Era inteiramente de ouro puro e constituído de um braço ou coluna central que se elevava desde a base, da qual saíam seis braços. Esses braços começavam em três pontos diferentes da haste e arqueavam-se em três semicírculos de diâmetros diferentes, simbolizando os três períodos anteriores de desenvolvimento (Períodos de Saturno, Solar e Lunar) pelos quais o homem passou antes do Período Terrestre, que estava, então, a menos da metade. Este último período era representado pela sétima luminária. Cada um dos sete braços terminava numa lâmpada suprida com o mais puro azeite de oliva, elaborado por um processo especial. Ao sacerdote era exigido não permitir que nenhuma luz se apagasse no Candelabro. Todos os dias as lamparinas eram examinadas, limpas e abastecidas com azeite, e assim podiam manter-se acesas perpetuamente.
A Mesa dos Pães da Proposição estava colocada ao lado norte da sala, a fim de estar à mão direita do sacerdote quando este se dirigisse ao segundo véu. Doze pães sem fermento eram continuamente mantidos sobre a mesa. Eram colocados em duas pilhas, um pão sobre o outro, e em cima de cada pilha havia, uma pequena quantidade de incenso. Esses pães eram chamados os Pães da Proposição ou pão da face, porque eram colocados solenemente naquela mesa diante do Senhor que habita na Glória de Shekinah, atrás do segundo véu. Todos os sábados, os pães eram substituídos pelo sacerdote, sendo os velhos retirados e os novos colocados no mesmo lugar. Os pães retirados eram comidos pelos sacerdotes e ninguém mais tinha permissão de prová-los. Também não era permitido comê-los em qualquer lugar fora do Santuário porque era considerado o mais sagrado de todos os alimentos, e unicamente podia ser consumido pelas pessoas consagradas e em terreno santo. O incenso que ficava sobre as duas pilhas dos pães era queimado na troca dos mesmos como uma oferta de fogo ao Senhor, como um memorial em lugar do pão.
O Altar do Incenso ou Altar de Ouro, era o terceiro objeto do mobiliário da Sala Leste do Templo. Ficava no centro da sala, isto é, a meio caminho entre as paredes norte e sul, em frente ao segundo véu. Nenhuma carne era queimada nesse altar e nenhum sangue jamais fora derramado sobre ele, exceto em ocasiões muito solenes, e apenas os seus vasos eram marcados com a mancha vermelha. A fumaça que deles se elevava desprendia-se do incenso. Isso acontecia todas as manhãs e todas as noites, preenchendo o Santuário com uma nuvem de fragrância agradável que impregnava todo o ambiente interior e que se estendia por algumas milhas ao redor. Por ser queimado todos os dias foi chamado: "um perpétuo incenso diante do Senhor".
Não era simplesmente um incenso comum queimado, mas um composto deste com outras espécies doces, elaborado sob a direção de Jeová para este fim especial e por isso considerado santo, de modo que a nenhum homem fosse possível manipular essa composição para uso comum. O sacerdote era encarregado de zelar para que nenhum incenso estranho fosse oferecido no Altar de Ouro, isto é, nenhum outro que não tivesse a composição sagrada. Esse Altar estava colocado diretamente diante do véu, do lado de fora, mas antes do Propiciatório, que estava dentro da sala do segundo véu. Por isso, quem ministrasse no Altar do Incenso não podia ver o Propiciatório por causa do véu interposto; mas devia olhar nessa direção e direcionar-lhe o incenso. Era costume, quando a nuvem fragrante do incenso se erguia por cima do templo, que todas as pessoas que estivessem no Átrio do Santuário enviassem, pessoal e silentemente, suas preces a Deus.
Como se afirmou anteriormente, quando o sacerdote permanecia no centro da Sala Leste do Tabernáculo, o Candelabro de Sete Braços ficava ao seu lado esquerdo, em direção ao sul. Isto simbolizava o fato de que os sete dadores de luz ou planetas que trilham a dança do círculo místico ao redor da órbita central, o Sol, percorrem a estreita faixa abrangendo oito graus em cada lado da trajetória do Sol, que é chamada zodíaco. "Deus é Luz" e os "Sete Espíritos diante do Trono" são chamados os ministros de Deus. São os mensageiros da luz para a humanidade. Eles nos guiaram no caminho evolutivo. Assim como os céus ficam iluminados quando a Lua em suas fases chega à "plenitude" na parte leste dos céus, também a Sala Leste do Tabernáculo ficava plena de LUZ, indicando visivelmente a presença de Deus e seus Sete Ministros, os Anjos Estelares.
Podemos notar a luz do Candelabro de Ouro, que era clara e sua chama não possuia odor, e compará-la com a fumaça do Altar dos Sacrifícios que, de certo modo, gerava trevas em vez de dissipá-las. Mas, há ainda um significado mais profundo e sublime neste símbolo do fogo, que só abordaremos quando falarmos da Glória de Shekinah, cujo brilho deslumbrante pairava acima do Propiciatório, na Sala Ocidental. Antes que possamos decifrar esse tema, devemos entender todos os símbolos que estão entre o Candelabro de Ouro e o Sublime Fogo do Pai, que era a coroação da glória do Sanctum Sanctorum, a parte mais sagrada do Tabernáculo no Deserto.

A Sala Leste do Templo pode ser chamada de Vestíbulo do Serviço, pois corresponde aos três anos do ministério de Cristo e contém toda a parafernália para o desenvolvimento da alma. Como já dissemos, só possuía três peças principais. Entre elas, encontramos a Mesa dos Pães da Proposição. Sobre essa mesa, como já sabemos, havia duas pilhas de pães, cada uma com seis pães, e sobre cada pilha havia uma pequena quantidade de incenso. O aspirante que chegasse à porta do Templo, "pobre, nu e cego', era conduzido à luz do Candelabro de Sete Braços, obtendo um certo grau de conhecimento cósmico que devia utilizá-lo unicamente em favor de seus semelhantes. A Mesa dos Pães da Proposição representa tudo isso em símbolos.
Os grãos dos quais eram feitos os pães foram originalmente dados por Deus, depois plantados pelo homem após ter sido arado e preparado o solo. Quando semeados, era necessário cultivá-los e regá-los. Então, brotava o fruto de acordo com a natureza do solo e do cuidado recebido. Era posteriormente colhido, debulhado, moído e assado. Depois, os antigos servos de Deus tinham de carregá-lo para dentro do Templo, onde era colocado ante a presença do Senhor como pão, para "demonstrar" que os homens fizeram a sua tarefa e terminaram o serviço necessário.
Os grãos de trigo ofertados por Deus e contidos nos doze pães representam as oportunidades para o crescimento da alma através dos doze departamentos da vida, representados pelas doze casas do horóscopo sob o domínio das doze Hierarquias Divinas, conhecidas como os signos do Zodíaco. Mas é tarefa do Maçom Místico, o verdadeiro construtor do Templo, abraçar estas oportunidades, cultivá-las e nutri-Ias para extrair delas o PATO DA VIDA que alimenta a alma.
Contudo, nós mesmos não assimilamos nossos alimentos físicos em sua totalidade, pois fica um resíduo, uma grande porção de cinzas após termos amalgamado a quintessência em nosso sistema. De modo semelhante, os Pães da Proposição não eram queimados ou consumidos perante o Senhor. Eram colocados dois montículos de incenso sobre as duas pilhas de pães, um em cada monte. Isto foi concebido para que seu aroma fosse percebido e mais tarde os pães fossem consumidos pelo fogo no Altar do Incenso. Dessa maneira, a nutrição da alma, realizada pelo serviço diário prestado pelo Maçom Místico, é lançada no moinho da retrospecção quando ele se retira para dormir e pratica o exercício científico ensinado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Há um dia em cada mês que é particularmente propício para extrair o puro incenso do crescimento da alma e queimá-lo perante o Senhor, de modo que possa exalar um suave aroma e ser amalgamado com o corpo-alma para formar parte do "Dourado Manto Nupcial". Isto se realiza quando a Lua chega ao plenilúnio. Então, a Lua está a leste e os céus estão inundados de luz, como estava a Sala Leste no antigo Templo de Mistérios Atlante, onde o sacerdote fortalecia o pábulo da alma, simbolizado pelo Pão da Proposição e por sua fragrante essência, que deleitava nosso Pai Celestial tanto quanto agora.
Contudo, deixemos que o Maçom Místico considere que os pães ázimos não eram fantasia de sonhadores, nem produto de especulação sobre a natureza de Deus ou da luz. Eram resultado de um trabalho real, de um trabalho sistemático e disciplinado, que nos impele a seguir o caminho do verdadeiro serviço se desejarmos acumular tesouros no céu. A menos que trabalhemos e sirvamos a humanidade, nada teremos a apresentar, nenhum pão para oferecer nos banquetes da Lua Cheia. E no casamento místico do Eu Superior com o Eu Inferior, encontrar-nos-emos desprovidos do radiante corpo-alma dourado, o "Dourado Manto Nupcial", sem o qual o enlace com Cristo jamais poderá ser consumado.
No Altar do Incenso, como vimos pelas descrições anteriores do Tabernáculo e seu mobiliário, o incenso era continuamente oferecido ao Senhor. E o sacerdote que oficiava diante do Altar, olhava sempre em direção ao Propiciatório, acima da Arca, embora lhe fosse impossível vê-Ia por causa do segundo véu interposto entre o primeiro e o segundo departamento do Tabernáculo, o Lugar Santo e o Sanctum-Sanctorum. Também vimos, em relação aos Pães da Proposição, que o incenso simboliza o extrato, o aroma do serviço que prestamos de acordo com nossas oportunidades. Assim como o animal sacrificado no Altar de Bronze representa os. males cometidos durante o dia, assim também o incenso queimado no Altar de Ouro, que é um doce aroma para o Senhor, representa as ações virtuosas de nossas vidas.
É digno de nota e de grande significado místico que o aroma do serviço voluntário seja representado pela doce fragrância do incenso, enquanto o odor do pecado, do egoísmo e das transgressões da lei, representados pelo sacrifício compulsório no Altas do Serviço, é nauseante. Não é necessário grande imaginação para entender que as nuvens de fumaça que subiam continuamente das carcaças queimadas dos animais sacrificados, exalavam um cheiro enjoativo que causava repugnância. Por antítese, o incenso perpetuamente oferecido no Altar diante do segundo véu, mostrava a beleza e sublimidade do serviço desinteressado, exortando assim o Maçom Místico, como um filho da luz, a evitar um e a aderir ao outro.
Entendemos também que o serviço não consiste apenas em realizar grandes feitos. Alguns heróis eram obscuros e comuns em suas vidas, e surgiram para a fama em decorrência de, alguma ação notável num grande e memorável dia. Os mártires foram inseridos no calendário dos santos porque morreram por uma causa. Mas o maior heroísmo, o grande martírio é, às vezes, fazer as pequenas coisas que ninguém nota, e sacrificar-se no simples serviço aos outros.
Já sabemos que os véus na entrada do pátio exterior e em frente à Sala Leste do Tabernáculo eram confeccionados em quatro cores - azul, vermelho, púrpura e branco. Mas o segundo véu, que dividia a Sala Leste do Tabernáculo da Sala Oeste, era diferente dos outros dois. Era bordado com figuras de Querubins. Não consideraremos o significado desse fato até que vejamos o que representa a Lua Nova e a Iniciação. Observemos agora o segundo compartimento do Tabernáculo, a Sala Oeste, chamada o Santo dos Santos ou Sanctum Sanctorum. Atrás do segundo véu, dentro desta segunda divisão, nenhum mortal poderia passar a não ser o Sumo-Sacerdote e, mesmo assim, somente numa ocasião do ano chamado Yom Kippur, o Dia da Expiação, após a mais solene preparação e com a maior reverência e devoção. O mais Santo de Todos era revestido com uma solenidade de outro mundo; era revestido de uma grandeza sobrenatural. O Tabernáculo inteiro era o santuário de Deus, mas, neste lugar, sentia-se o imponente poder de Sua presença, a morada excepcional da Glória de Shekinah, e qualquer mortal tremeria dentro deste recinto sagrado, como devia acontecer ao Sumo-Sacerdote no dia da Expiação.
No mais ocidental extremo deste recinto, o extremo oeste do Tabernáculo, encontrava-se a "ARCA DA ALIANÇA". Era um receptáculo côncavo que continha: o Pote de Ouro do Maná; A Vara de Arão que floresceu e as Tábuas da Lei que foram dadas a Moisés. Enquanto essa Arca da Aliança permanecia no Tabernáculo no Deserto, havia duas estacas colocadas entre as quatro argolas da Arca para que pudesse ser erguida e transportada imediatamente.
Mas, quando a Arca chegou ao Templo de Salomão, as estacas foram retiradas. Isso tem um significado simbólico muito importante. Sobre a Arca inclinavam-se ajoelhados dois Querubins, e entre eles permanecia a sempre eterna Glória de Deus. "Aqui", disse Deus a Moisés, "Eu te encontrarei e me comunicarei contigo de cima do Propiciatório por entre os dois Querubins que estão sobre a Arca do Testemunho".
A Glória do Senhor vista sobre o Propiciatório tinha a aparência de uma nuvem. O Senhor disse a Moisés: "Dize a Arão, teu irmão, que nunca entre no santuário que está para dentro do véu diante do Propiciatório que cobre a arca, para que não morra, porque Eu aparecerei na nuvem sobre o Propiciatório" - (Levítico 16-2). Esta manifestação da divina presença foi chamada entre os judeus de "A Glória de Shekinah". Sua aparência, sem dúvida, era de uma maravilhosa glória espiritual, à qual é impossível descrever em palavras. Fora da nuvem, a Voz de Deus era ouvida com profunda solenidade quando Ele era consultado em favor do povo.
Quando o aspirante se qualificava para entrar nesse recinto atrás do segundo véu, encontrava tudo escuro à visão física, e era necessário que ele tivesse outra luz, a interior. Quando veio pela primeira vez à porta da Sala Leste do Templo, estava "pobre, nu e cego", pedindo LUZ. Apresentaram-lhe o pequenino lume que aparecia na fumaça do Altar dos Sacrifícios, e foi advertido que, para adiantar-se, deveria iluminar-se a si próprio com a chama do remorso pelas faltas cometidas. Mais tarde, foi-lhe mostrada a luz resplandecente na Sala Leste do Tabernáculo, que procedia do Candelabro de Sete Braços. Em outras palavras, foi-lhe dada a luz da Sabedoria, razão pela qual tem permissão para avançar no caminho. Também lhe pedem que, pelo serviço, ele desenvolva outra luz dentro e ao redor de si, o "Dourado Manto Nupcial", que é também a Luz de Cristo do corpo-alma. Por uma vida de serviço, essa gloriosa substância-alma envolve e amplia gradualmente toda a sua aura tornando-a uma radiosa luz dourada. Só depois de ter desenvolvido essa iluminação interna, é que poderá adentrar ao escuro recinto do segundo Tabernáculo, como o Mais Santo dos Lugares muitas vezes é denominado.
"Deus é Luz; se caminharmos na Luz como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros". Isto parece unicamente indicar a fraternidade dos Santos, mas aplica-se também à fraternidade que temos com Deus. Quando o discípulo penetra no segundo Tabernáculo, a LUZ dentro dele vibra com a LUZ da Glória de Shekinah que está entre os Querubins, e então ele compreende a fraternidade com o Fogo do Pai.
Assim como os Querubins e o Fogo do Pai, que flutua acima da Arca, representam as Hierarquias Divinas que guiaram a humanidade durante sua peregrinação pelo deserto, assim também a Arca que se encontra ali, representa o homem no seu mais elevado desenvolvimento. Havia, como já sabemos, três objetos dentro da Arca: o Pote Dourado do Maná, a Vara que floresceu e as Tábuas da Lei. Quando o aspirante chegava ao portão leste como um filho do pecado, a lei estava fora dele, precisava de um mestre para trazê-lo ao Cristo. A lei era executada com extrema severidade, isto é, olho por olho, dente por dente. Cada transgressão resultava num castigo justo, e o homem encontrava-se circunscrito em todas as direções por leis que lhe ordenavam que fizesse as coisas certas e refreasse as más ações. Porém, quando através do sacrifício e do serviço, ele tiver finalmente atingido o estágio de evolução representado pela Arca na Sala Oeste do Tabernáculo, as Tábuas da Lei estarão DENTRO DELE. Estará, então, emancipado de toda interferência externa referente às suas ações, não porque cumpra rigorosamente as leis, mas porque trabalha com elas. Do mesmo modo como aprendemos a respeitar o direito de propriedade dos outros emancipando-nos do Mandamento: "não roubarás", também aquele que respeita conscientemente as leis não tem necessidade de um mestre externo, pois alegremente presta obediência em todas as coisas porque ele é um servo da Lei e trabalha com ela, por escolha e não por coação.
O Pote Dourado do Maná
Manas, mensch, mens ou man (homem) são palavras associadas com maná, o maná que caía dos céus. É o espírito humano que desceu do Pai para peregrinar através da matéria, e o Pote Dourado onde era guardado simboliza a aura dourada do corpo-alma.
Apesar da narrativa bíblica *não estar rigorosamente de acordo com os acontecimentos, cont&ea