TEMAS POLÊMICOS

 

  Transplantes

Ponto de Vista Rosacruz

 


 

A respeito deste tema tão atual, temos recebido inúmeras cartas de vários Irmãos solicitando respostas às suas dúvidas bem como um posicionamento da Fraternidade Rosacruz frente ao assunto.

Não se pode, entretanto, emitir qualquer afirmativa generalizada para responder a essas questões. Cada caso é bastante individual e o Ego interessado deve decidir o problema por si mesmo de acordo com sua própria consciência e com as particularidades de sua situação.

Antes porém, é preciso compreender o que ocorre com a vida após a assim chamada morte e para isso é preciso que conheçamos a constituição dos seres humanos. O homem não é simplesmente um corpo, dotado de uma mente. É um Espírito (Ego) - uma parte individualizada de Deus - que possui uma mente e um corpo tríplice: o corpo denso (parte física), o corpo vital (parte etérica) e o corpo de desejos (parte emocional). Durante a vida terrena os veículos do Espírito encontram-se todos juntos e concêntricos, mas por ocasião da morte, o Ego, revestido pela mente e pelo corpo de desejos, retira-se do corpo físico. Como as funções vitais chegam ao fim, o corpo vital também se retira do corpo físico deixando-o inanimado.

Imediatamente após a morte o Ego, livre do embaraço representado pela corpo físico, readquire seu poder espiritual e torna-se capaz de enxergar as imagens registradas no pólo negativo do éter refletor do seu corpo vital, onde reside o assento da memória subconsciente. Dessa forma toda a sua vida passa diante de sua visão, como um panorama, com os acontecimentos em ordem inversa, isto é, iniciando-se com os fatos que Imediatamente precederam a morte e terminando com o nascimento.

Esse panorama, que representará a base da experiência humana no Purgatório e Primeiro Céu, leva para terminar, um tempo que varia de algumas horas até um máximo de 3 dias e meio. A duração depende da força do corpo vital e da natureza da vida que termina, ou ainda se esta última foi cheia de acontecimentos ou vazia de ação.

O excesso de ruído, de lamentações ou ainda a manipulação do corpo físico antes dos 3 dias e meio tende a destruir o panorama ou distrair o Ego, impossibilitando-o de assimilar de forma completa todo o panorama. Após a gravação deste no corpo de desejo e a quebra do cordão prateado o Ego encontra-se livre para dirigir-se aos planos superiores.

Fundamentalmente, é claro, sabemos que qualquer tipo de doença é produzido pelo próprio Ego; que está enraizada no reino espiritual, mais do que no material é que é conseqüência da ignorância e da desobediência às leis mais altas, nesta ou nas vidas precedentes. Afinal a doença pode ser erradicada somente através de mudanças na natureza espiritual mais interna do Ego. O tratamento físico na forma de medicamentos, transplantes ou outras terapias conferem apenas alívio temporário, quando não acompanhados da necessária transmutação espiritual de atitude e caráter.

Assim, antes de adotar qualquer tipo de tratamento físico, o Ego deveria estar completamente consciente que ele necessita evoluir novos degraus dentro de si próprio para que o tratamento tenha um valor real e definitivo.

Em relação aos transplantes, deve-se lembrar que cada átomo do corpo denso pertence ao Espírito que habita esse corpo. A condição do veículo físico e dos seus órgãos, nervos e tecidos representa a soma total da forma com a qual o Espírito habitante viveu em suas vidas anteriores na Terra e tem sido capaz de construir a contraparte do seu corpo durante os períodos entre as vidas terrenas. É por esta razão que órgãos transplantados e certos tipos de sangue, bem como substâncias artificiais são, às vezes, rejeitadas por um Ego em particular, pois, nenhum Ego aceitará inserções físicas em seu veículo denso. O Ego necessita dominar as células estranhas trazidas ; para dentro do seu corpo físico, seja sob a forma de alimento, transfusão sangüínea ou transplante. Quando não consegue exercer esse domínio rejeita essa substância. Dessa maneira, o Ego necessita antes ter a certeza, tanto quanto possível, de dominar o material estranho a ser inserido.

A substituição de um órgão severamente doente e mal-funcionante por um órgão saudável transplantado deveria ser realizada desde que um Ego tivesse condições de viver mais produtivamente.

Isso pode ser melhor demonstrado no caso dos transplantes renais. O uso de um órgão transplantado, mesmo que seus átomos se harmonizem com o resto do corpo denso do Indivíduo, não o ajudará a construir um arquétipo de um órgão melhor para usá-lo na próxima vida. A habilidade para fazê-lo, nasce do progresso espiritual que será conseguido por esse indivíduo. Caso não seja corrigida a causa espiritual subjacente à debilidade do órgão em questão, é razoável esperar que problemas similares ou ainda piores surgirão nas próximas vidas na Terra.

Embora a decisão de se submeter ou não a um transplante deva depender de cada indivíduo, podemos lembrar de exemplos nos quais essa prática pode ser justificável em termos de Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Em todos os casos porém, isso dependerá de 2 fatores: a) da determinação do Ego para procurar e corrigir as causas espirituais de seu problema e b) das atividades às quais pretende devotar-se após o sucesso do transplante, quando este permitir uma rotina normal de vida.

Se o indivíduo estiver resolvido a instituir uma reforma espiritual para si, o uso de um órgão transplantado, bem funcionante, poderá prover alívio imediato do sofrimento e da desesperança, permitindo assim que o mesmo reveja racionalmente sua situação e possibilitando levar adiante os necessários esforços espirituais, mentais e emocionais. Ajudará, certamente, a sensação esmagadora de desesperança ou inutilidade que um grande órgão, seriamente danificado, pode causar. Mesmo às pessoas cientes das realidades espirituais, a possibilidade de cura dará ao Ego uma "vida nova", um grande alento.

O Ego entretanto, sentindo-se curado e em boas condições, não pode tornar-se omisso e negligente. Necessita manter um grau suficiente de força de vontade e tenacidade, não retornando à sua antiga maneira de viver a fim de que sua cura espiritual - ou real - possa ocorrer. Infelizmente alguns indivíduos necessitam de sofrimento e dor contínuos para poder originar o esforço interno para a reforma espiritual que poderá levá-lo à cura. Devido à Lei de Conseqüência, poderão ter que expiar suas deficiências em outras vidas a despeito da cura física que poderão experimentar na época atual.

A menos que o transplantado esteja imbuído da vontade de superar suas deficiências prévias e adotar uma vida de atividade e dedicada ao serviço, não parece haver justificativa maior para o transplante, no contexto espiritual.

Se por outro lado, uma mãe com filhos pequenos ou um pai que necessita prover sua família tiverem que receber um transplante para poderem fazer frente às suas responsabilidades, parece que estes casos devem receber uma importante consideração favorável. Ainda no caso de pessoas jovens, com quase toda a vida pela frente, a cirurgia deve ser justificada tomando-se o cuidado, sempre que possível, de instruí-los a respeito de uma conduta futura apropriada, incluindo a aceitação de responsabilidades espirituais.

Já em relação ao tipo de órgão a sor transplantado, devem ser levados em conta alguns aspectos importantes. A doação de um dos rins, por exemplo, dado que é retirado em vida, em nada modifica o que foi dito acima no que se refere ao panorama. A retirada da córnea não toma mais do poucos minutos. Seria mais prejudicial do que o ruído produzido pelo choro incontido de um ente querido? E o que dizer do grande benefício que essa córnea traria, devolvendo a visão a um indivíduo que talvez venha a viver e pensar corretamente, aperfeiçoando desta forma seu arquétipo. Há os que defendem a idéia de que as limitações impostas ao ser humano pela desobediência às leis superiores deveriam permanecer para permitir o desenvolvimento espiritual que corrigiria essas deficiências nas próximas existências. O que teríamos a dizer daqueles que ainda não conhecem essas leis, desobedecendo-as por ignorá-las e não por seu livre arbítrio. E nestes casos, como justificar o uso de óculos, aparelhos para surdez, próteses artificiais, marca-passos cardíacos, cadeira de rodas etc.. Os Arquitetos da humanidade teriam permitido que o ser humano alcançasse todo esse desenvolvimento científico para que não fosse utilizado? Esses auxílios porém, não eliminam totalmente a restrição causada pelo órgão ou membro defeituoso, fazendo com que o Ego tenha que aprender a viver com todas as restrições, ainda que suavizadas, e a ser grato pela oportunidade concedida.

Digna de nota, entretanto, é a discussão sobre o transplante cardíaco. Devemos nos lembrar que o transplante do coração só será bem sucedido quando o coração do doador for retirado imediatamente após o doador ser considerado morto. Como já foi dito, essa retirada certamente causará dor que será sentida pelo Ego, sem contar com a distração do mesmo pelas atividades ao seu redor, prejudicando o panorama. Além disso, a ciência oculta nos ensina que no coração, no seu ventrículo esquerdo, próximo ao ápice, localiza-se o átomo-semente do Ego. Esse átomo-semente representa as forcas emanadas de todos os veículos densos ocupados por um determinado Ego em todas as suas vidas. Todas as suas experiências na vida presente são inscritas nesse átomo-semente o qual constitui a base do panorama pós-morte. A individualidade do átomo-semente é tão indispensável para a nossa evolução tanto quanto o coração é indispensável para a nossa sobrevivência no Mundo Físico.

O que acontece com o átomo-semente no caso de um transplante cardíaco? Muito provavelmente permanece na contraparte etérica do coração do doador, que ainda permanece no seu corpo. Quando partes do corpo denso são amputadas, somente o éter planetário acompanha a parte separada. Uma vez o coração físico do doador colocado no coração etérico do receptor uma pergunta deve ser feita: teriam os angélicos Seres, que sabiamente orientam esses assuntos, transferido o átomo-semente denso do receptor para o ápice do coração do doador, que agora bomba sangue através dele? Para quem acompanha em vida os transplantados, parece que é o que ocorre. Do ponto de vista esotérico, a morte violenta, maioria dos casos de doação de coração, não permite a gravação do panorama, obrigando-nos a retornar sob a orientação da Lei de Mortalidade Infantil. Somos trazidos de volta ao renascimento e morremos crianças, reingressando no Mundo do Desejo e no Primeiro Céu para aprendermos as lições contidas no panorama.

Temos a certeza que Max Heindei nos aconselharia a adotar uma decisão bastante judiciosa nestes casos. No vol.l, página 79, da obra Perguntas e Respostas de Max Heindei verificamos: "Estaremos decididamente errados se permitirmos a deterioração do nosso instrumento físico por falta de atenção e cuidado apropriados. Trata-se da mais valiosa ferramenta que possuímos e a menos que a usemos com ponderação e dela cuidemos, estaremos sujeitos à lei de causa e efeito por essa negligência".

Por todas essas razões, cada caso deve ser considerado individualmente. Claro está que, a vontade do doador em auxiliar seu Irmão constitui-se em crédito a seu favor, espiritualmente falando. Basta lembrar de Jesus que nos doou seu corpo vital!!!!

Estamos vivendo a transição da Idade de Pisces para a Idade de Aquarius. Essa transição afunila, comprime e traz à tona assuntos complexos, paradoxais e polêmicos como este, mas de interesse fundamental para toda a humanidade. Quando nos defrontamos com esses temas, justificamos nossas atitudes por impulsos emocionais coletivos ou por vaidade e orgulho intelectuais pela habilidade mecânica desenvolvida para os transplantes? Ainda, doamos nossos órgãos por impulso ou como um sacrifício vivo feito no altar da humanidade?

A ciência não pode ser negligente no seu dever de esforçar-se para manter a forma viva e saudável. Também, cada indivíduo é co-responsável por toda a sua espécie, porém cada um com diferente grau de coragem para assumir a cruz da responsabilidade. Não há outro caminho a ser percorrido pela humanidade atual considerando-se o estágio materialista que atravessa.

Primeiro devemos aprender a trabalhar com a forma e a tomar consciência da Sabedoria Espiritual implicada na sua construção; depois, admitida a, sacralidade da forma, com a alma pura e reverente, aprendermos a dar vida a essa i forma no futuro Período de Júpiter.

Acreditamos que cada indivíduo, apôs pesar cuidadosamente todas as facetas da situação, deve decidir por si mesmo se oferece ou não seus órgãos para transplante. Afinal o bem-estar de cada um, nesta e nas vidas futuras depende somente de cada um.

- Adaptado da Revista Rays from the Rose Cross por um estudante da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil


 

 

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