António José de Carvalho Monteiro

Filósofo e escritor português, membro de The Rosicrucian Fellowship.
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Reflexões de Um Estudante Rosicrucista
Apresentação
António José de Carvalho Monteiro, nascido em Lisboa em 4 de Março de 1934, é Estudante Rosicrucista , associado à The Rosicrucian Fellowship, desde 1977. É autor de diversos artigos e ensaios divulgados no âmbito do Centro Rosacruz Max Heindel, em Portugal (1), alguns dos quais se encontram disponíveis nesta página dedicada ao idealismo rosacruz: < http://www.fraternidaderosacruz.org/antonio_monteiro.htm >, e das seguintes obras publicadas:
· A Ordem Rosacruz, Publicações Europa-América, Ldª, Mem Martins, 1981
· O Que é Fátima?, Hugin Editores, Lisboa, 2000
O estudo de diversas correntes ocultistas as quais o autor se dedicou desde uma longínqua juventude levaram-no à conclusão de que a mais lógica, abrangente e elucidativa é a Filosofia Rosacruz, na qual se insere um conjunto de conhecimentos espiritualistas que, entre 1909 e 1919, foram dados a conhecer por Max Heindel através de uma notável bibliografia em que se destaca a obra básica The Rosicrucian Cosmo-Conception (Conceito Rosacruz do Cosmos).
Mas os ensinamentos de Max Heindel não se limitam a transmitir-nos conhecimentos ocultistas – incentivam-nos a desenvolver as nossas potencialidades espirituais e intelectuais, uma das quais é a intuição metafísica que nos permite fazer a nossa própria interpretação de alguns passos ocultistas menos desenvolvidos ou até omissos; se o fazemos da forma correcta, ou não, um dia veremos!
O autor considera A Filosofia Rosacruz uma corrente de pensamento ocidentalista e cristão que visa a evolução espiritual do ser humano através do desenvolvimento harmonioso da via ocultista e da via mística.
É nesta ordem de ideias que a presente série “Reflexões de um Estudante Rosicrucista” se insere, contendo um conjunto de artigos de sua responsabilidade onde analisa, em termos eminentemente especulativos, determinados assuntos, tendo em vista uma conclusão interpretativa tão lógica quanto possível, já que, como diz Max Heindel, “a lógica é o melhor mestre em qualquer mundo”.
Para além destes exercícios espiritualistas o autor, cuja obra o qualifica como um avançado Estudante Rosicrucista (2), apresenta alguns textos meramente informativos, bem como um resumo do Conceito Rosacruz do Cosmos aspirando ajudar aqueles que começam a interessar-se por estes assuntos, razão pela qual sugere que seja o primeiro texto da série a ser lido.
O décimo-primeiro volume desta série é dedicado à uma profunda pesquisa sobre Maria Madalena e o Santo Graal.
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Introdução
Há três perguntas que desde sempre têm perseguido o ser humano: quem somos? de onde viemos? para onde vamos? Se a esmagadora maioria desconhece as respostas, houve sempre quem as conhecesse e as transmitisse àqueles que, para tal, estavam preparados física, moral, intelectual e espiritualmente, enfim, que tenham evoluído o suficiente para usarem os poderes associados a esse conhecimento para fins exclusivamente humanitários. Assim se foram formando, um pouco por toda a parte, escolas de mistérios sob a égide de grandes seres que transmitiam determinados conhecimentos a indivíduos cuidadosamente escolhidos, enquanto que às massas ofereciam o culto das forças da Natureza, personificadas em deuses, espíritos, duendes, demónios; eram as chamadas religiões pagãs que foram parcialmente absorvidas pelas religiões de raça.
Algumas escolas ficaram famosas, como Elêusis, na Grécia, Ísis, no Egipto, Mitra, na Pérsia e no Império Romano, através das quais os aspirantes iam progredindo por sucessivas iniciações. Com a vinda do Cristo, estas escolas foram desaparecendo e dando lugar a outras com diferentes metodologias iniciáticas ditadas pelas alterações que, a nível dos mundos espirituais, este Ser introduziu na Terra, conforme vimos; por outro lado, enquanto as escolas pré-cristãs privilegiavam a evolução do povo, ou da raça, em que estavam inseridas, as actuais visam a evolução espiritual de toda a humanidade, muito embora se diferenciem consoante a especificidade dos povos para que estão mais vocacionadas.
Há sete escolas de mistérios menores e cinco escolas de mistérios maiores, formando os seus chefes a chamada Grande Loja Branca. A Ordem Rosacruz é uma das sete escolas de mistérios menores e está vocacionada para os povos ocidentais; é constituída por doze seres detentores da mais elevada iniciação, que visam elevar espiritualmente o ser humano através do desenvolvimento harmonioso da via ocultista e da via mística; a sua acção é exercida nos planos espirituais e físico, sob a orientação de um décimo terceiro, Christian Rosenkreuz, nome simbólico de um elevado ser cuja preparação iniciática remonta à mais alta antiguidade, e que no século XIII criou as bases da inicialmente chamada Fraternidade, ou Irmandade, Rosacruz, e que no século XVII iria adoptar a actual designação.
Sete Irmãos Maiores, como Max Heindel costuma designar os Rosacruzes, vêm ao mundo material sempre que as circunstâncias o requeiram, aparecendo como pessoas vulgares, exercendo profissões ou actividades vulgares, nada havendo que os distinga dos outros homens a não ser um comportamento exemplar e uma inteligência e cultura acima do normal. Actuam nos seus corpos visíveis e invisíveis, mas nunca influenciam quem quer que seja contra a sua vontade; limitam-se a fortalecer o Bem onde o encontram. Os restantes cinco Irmãos nunca abandonam o Templo da Rosa Cruz, uma construção etérica, invisível portanto, que envolve uma casa senhorial situada na Boémia, a cerca de 100 quilómetros a oeste de Praga. Estes Irmãos, embora possuam corpos físicos, executam o seu trabalho nos mundos espirituais.
Estes são os verdadeiros Rosacruzes, que nunca revelam a sua condição a quem quer que seja, e que orientam diversos homens e mulheres cujas vidas são absolutamente normais, mas que já atingiram diferentes iniciações; são os Irmãos Leigos.
A Ordem Rosacruz manteve-se secreta até 1614, ano em que, em Cassel, na Alemanha, foi publicado um manifesto intitulado Fama Fraternitatis - abreviatura já consagrada do extenso título original - que despertou grande interesse nos meios filosóficos e esotericistas e um certo receio nos religiosos; no ano seguinte foi publicado um outro, Confessio, e em 1616, agora em Estrasburgo, um terceiro manifesto, um conto alquímico, verdadeiro märchen, intitulado Núpcias Químicas de Christian Rosenkreuz no ano de 1459. Os dois primeiros são anónimos, mas a sua autoria é normalmente atribuída ao pastor luterano Johann Valentin Andreæ (1586-1654) por ser o autor assumido das Núpcias Químicas. Em 1622, desta vez em Paris, dois cartazes afixados na Praça da Greve anunciavam a estada visível e invisível dos delegados do Colégio Principal dos Irmãos da Rosacruz, prometendo maravilhas àqueles que quisessem inscrever-se nos registos da Confraternidade e cujos pensamentos, que os delegados garantiam conhecer de antemão, fossem puros e elevados.
Depois desta apresentação pública, a Ordem Rosacruz remeteu-se, novamente, ao silêncio, mas a sua presença e actividade fez-se sentir através de diversas personalidades que, embora ocultando a sua condição, se revelaram verdadeiros Rosacruzes: é o caso de Francis Bacon (1561-1626 ?), Jacob Boehme (1575-1624), o Conde de Saint Germain (1687 ? - 1784 ?), "o homem que tudo sabe e que nunca morre", no dizer de Voltaire, Goethe (1749-1832), e outros, como fora já o do famoso Paracelsus (1493-1541).
Por outro lado, há Irmãos Leigos que têm sido escolhidos pelos Irmãos Maiores para difundirem determinados ensinamentos. Está neste caso Max Heindel (1865-1919), um dinamarquês que emigrou para os EUA no final do século XIX e que, cinco ou seis anos depois, entrou para a Sociedade Teosófica. Em 1907, com o apoio económico de uma grande amiga, também teosofista, foi à Alemanha para assistir às conferências de Rudolf Steiner, outro teosofista e iniciado rosacruciano. Durante cerca de meio ano, Max Heindel assistiu às suas conferências, estudou todos os textos que Steiner lhe facultou, e foi por este introduzido numa secção secreta da Escola Esotérica de Teosofia. Ainda na Alemanha, Max Heindel foi iniciado por um Irmão Maior que o incumbiu de difundir tudo o que havia aprendido pelo mundo anglófono. Regressado aos EUA, Max Heindel abandonou a Sociedade Teosófica e escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos, publicado em 1909, que conheceu, de imediato, um enorme sucesso. Foi o primeiro passo para difundir esses ensinamentos; o seguinte foi a criação da Fraternidade Rosacruz, uma organização material, física, cuja sede, Mount Ecclesia, se situa em Oceanside, no sul da Califórnia, e que tem sido um foco de difusão do Rosicrucismo através de outros livros que Max Heindel escreveu, bem como das cartas e lições que enviou, mensalmente, aos seus estudantes, e aos centros e grupos de estudos que se foram criando.
Após a sua morte em 1919, a Fraternidade Rosacruz tem procurado prosseguir o trabalho do seu fundador. Por me parecer de interesse, incluo uma breve referência ao nosso país.(4)
Os primeiros sinais da presença no ainda Condado Portucalense da corrente de pensamento que a partir do século XVII ficaria conhecida como Rosacrucianismo, são as assinaturas do Conde D. Henrique (-1112), D. Teresa (-1130) e Afonso Henriques (c.1108-1185), onde se evidenciam uma cruz e uma rosa (cf. Eduardo Amarante/Rainer Daehnhardt, Portugal: A Missão Que Falta Cumprir, vol. I, Porto, Edições Nova Acrópole, 1994, pp. 114-116).
Na presunção, para não dizer certeza, de que os Templários estiveram na origem da Ordem Rosacruz, há que apontar a possibilidade de um dos primeiros cavaleiros ter sido português; trata-se de um tal Gondomar, ou Gondemar, que em 1118 estava em Jerusalém com Hugues de Pays, Geoffroy de Saint-Omer e os restantes seis cavaleiros, quando a Ordo Militum Templi foi oficialmente constituída.
O sinal seguinte data de 1129; trata-se da confirmação da doação do Castelo de Soure aos “Soldados do Templo de Salomão”, onde D. Afonso Henriques exprime o “... cordial amor que vos tenho, em vossa irmandade e em todas vossas boas obras sou irmão”.
Nos princípios do século XIV temos duas datas fundamentais: 1312, ano da extinção formal da Ordem do Templo, e 1319, ano da fundação da Ordem de Cristo por D. Dinis, um trovador e iniciado nos mistérios que mais tarde se denominariam Rosicrucistas, um “plantador de naus a haver”, no dizer de Fernando Pessoa. Como se sabe, a epopeia dos Descobrimentos ficou a dever-se à Ordem de Cristo, da qual o Infante D. Henrique (1394-1460) foi seu grão-mestre ou, pelo menos, administrador.
Ora entre alguns estudiosos dos mistérios que envolvem a Ordem do Templo há a convicção de que os Templários foram experimentados navegadores que chegaram ao Novo Mundo muito antes de Cristóvão Colombo (1492), o que explicaria a origem do seu fabuloso tesouro em prata, provavelmente extraída das minas mexicanas. Assim, teria sido dos Templários que o Infante herdou os conhecimentos náuticos com que a sua escola preparou os nossos navegadores, quase todos iniciados na Ordem de Cristo.
No Convento de Cristo, em Tomar, há dois sinais inequívocos do Rosicrucismo: no piso inferior do chamado Claustro da Lavagem (1437 a 1449) e que seria, na verdade, a sala onde tinham lugar cerimónias iniciáticas, as pedras angulares estão decoradas com uma rosa sobreposta a uma cruz; na parte interior da janela da Casa do Capítulo, o elemento decorativo é a alcachofra, uma flor cheia de simbolismo e que, de certo modo, estabelece um traço de união entre os Templários e a rosa dos Rosacruzes.
No século XVI é Camões a grande figura, se não do Rosicrucismo, pelo menos do esoterismo em Portugal, conforme se depreende de uma leitura atenta de Os Lusíadas e de alguns dos seus sonetos onde sobressai, para além de uma grande cultura, um conhecimento profundo da Astrologia e da simbólica da mitologia clássica. Sobre este assunto, e para não me alongar demasiado, recomendo a leitura de uma série de excelentes artigos escritos por Francisco Marques Rodrigues para a revista Rosacruz, da Fraternidade Rosacruz de Portugal, e a correspondente secção do meu livro A Ordem Rosacruz (Mem Martins, Publicações Europa-América, 1981, pp. 105-115).
Nos três séculos seguintes não tenho conhecimento de figura alguma que possa ser identificada, ou relacionada, com o Rosacrucianismo.
Nos anos vinte do século passado, foi criado em Lisboa, por iniciativa de Francisco de Medeiros, o Centro de Estudos Rosacrucianos, o qual passou a ser dirigido por Francisco Marques Rodrigues desde meados da década de quarenta até à sua morte em 1979; em 19 de Julho de 1975, graças ao 25 de Abril, pôde ser legalizado com a designação Fraternidade Rosacruz de Portugal.
Entretanto uma dissensão anterior tinha dado origem à criação do Centro Rosacruciano de Lisboa que se manteve em funcionamento durante alguns anos até que outra dissensão ditou o seu encerramento e a formação, em 1984, do Centro Rosacruz Max Heindel, presentemente a funcionar em Minde. De referir a existência de alguns estudantes que, por razões diversas, nomeadamente a localização das suas residências, não se encontram ligados a nenhum destas duas associações e prosseguem os seus estudos directamente com Mount Ecclesia.
A título de curiosidade, esclareço que Fernando Pessoa (1888-1935), figura proeminente do esoterismo português do século XX, embora conhecesse perfeitamente a Filosofia Rosacruz, nunca esteve vinculado ao antigo Centro de Estudos Rosacrucianos.
António Monteiro
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Notas:
(1) CENTRO ROSACRUZ MAX HEINDEL : Apartado 46, 2396-909 Minde, Portugal .
Email: crmheindel@sapo.pt Web site: http://centro-rosacruz.com
Para além destes exercícios espiritualistas o autor, cuja obra o qualifica como um avançado Estudante Rosicrucista 2, apresenta alguns textos meramente informativos, bem como um resumo do Conceito Rosacruz do Cosmos aspirando ajudar aqueles que começam a interessar-se por estes assuntos, razão pela qual sugere que seja o primeiro texto da série a ser lido.
O décimo-primeiro volume desta série é dedicado à uma profunda pesquisa sobre Maria Madalena e o Santo Graal.
(2) ALGUNS TERMOS ROSICRUCISTAS
ROSA CRUZ
1. S. 2 gen. Composto simbolizante em que Rosa representa o espírito e Cruz o corpo físico. A composição significa que o espírito se encontra livre da necessidade de renascer num corpo físico e pode prosseguir que impôs a si próprio. O Rosacruz é aquele que atingiu a quarta iniciação maior mas permanece no mundo físico integrado na Ordem Rosacruz. O m. q. Irmão Maior.
2. Adj. Relativo à Ordem Rosacruz. O m. q. Rosa-Cruz, símbolo gráfico da ligação do espírito com o corpo físico
ROSACRUZ
S. 2 gen. Composto simbolizante por justaposição, em que Rosa representa o espírito e Cruz o corpo físico. A justaposição significa que o espírito se encontra livre da necessidade de renascer num corpo físico, mas permanece ligado a este mundo a fim de cumprir uma missão espiritualista
ROSICRUCISMO
S. masc. Sistema filosófico e esotericista, de índole cristã e ocidentalista, que visa a evolução espiritual do ser humano através da harmonização da via ocultista e da via mística. O m. q. Filosofia Rosacruz.
Preferível ao anglicismo Rosacrucianismo.
(Do lat. rosa, rosæ + crux, crucis)
ROSICRUCISTA
1. S. 2 gen. Aquele ou aquela que atingiu qualquer iniciação menor na Escola de Mistérios Rosacruz. O m. q. Irmão Leigo.
2. Adj. Relativo ao Rosicrucismo. Preferível ao anglicismo Rosacruciano. (Do lat. rosa, rosæ + crux, crucis)
ESTUDANTE ROSICRUCISTA
S. 2 gen. Aquele ou aquela que estuda o Rosicrucismo mas não é iniciado na Escola de Mistérios Rosacruz. O m. q. estudante regular, probacionista ou discípulo.a sua evolução nos mundos superiores. O Rosa Cruz é aquele que, tendo atingido a quarta iniciação maior, passou para um mundo superior a fim de evoluir em condições diferentes das terrenas.
(3) Nota do editor: De novembro de 1907 a Março de 1908, Max Heindel dedicou seu tempo a investigação dos ensinamentos do Dr. Rudolf Steiner, viajando para a Alemanha a convite de sua amiga , a Dra. Alma Von Brandis para assistir um ciclo de conferencias deste famoso escritor, então responsável pela Seção Alemã da Sociedade Teosófica, e mais tarde fundador da Sociedade Antroposófica. Na última das seis entrevistas pessoais com o Dr. Steiner, Max Heindel mencionou que havia começado a escrever um livro no Campo das Ciências Ocultas; um compêndio que sintetizava os ensinamentos orientais e ocidentais. Steiner então ponderou que se algum dos ensinamentos por ele promulgados fosse utilizado , deveria mencioná-lo como a autoridade e fonte da informação. Conseqüentemente Max Heindel concordou em dedicar tal compendio, que nunca foi concluído e jamais publicado, ao Dr. Steiner. Posteriormente, o Irmão Maior, que Max Heindel passou a chamar e reverenciar como Mestre, apareceu-lhe várias vezes vestido em seu Corpo Vital e esclareceu-o em vários pontos. Em Abril e Maio de 1908 após ter passado numa prova iniciática, em Março de 1908, sem saber que estava sendo testado, Max Heindel foi convidado a viajar a um local onde se encontrava uma casa que, abrigava o Templo Secreto da Rosa Cruz, onde encontrou o Irmão Maior e recebeu os ensinamentos rosacruzes, sintetizados no Conceito Rosacruz do Cosmos, reconhecido pelos maiores estudiosos das tradições esotéricas como um clássico da literatura ocultista, que engloba sinteticamente as tradições esotéricas do passado e introduz assuntos jamais abordados publicamente. O Mestre contou-lhe ainda que um candidato previamente escolhido, que estivera sob as Suas instruções por vários anos, falhara ao ser posto em certa prova em 1905 (tal afirmação de Max Heindel sugere que o candidato anterior que suspeitamos ter sido Rudolf Steiner não traduzira os Ensinamentos numa linguagem acessível a todas as mentalidades conforme desejavam os Irmãos Maiores); também que Max Heindel esteve sob a observação dos Irmãos Maiores por certo número de anos, sendo considerado como o candidato mais apto, caso o primeiro falhasse. Em acréscimo foi ainda informado que os ensinamentos deveriam ser dados ao público antes do término da primeira década do século XX. Apesar, do manuscrito inacabado do livro mencionado ao Dr. Steiner ter sido destruído, as últimas e mais completas revelações dos Irmãos Maiores confirmavam os ensinamentos do Dr. Steiner em suas linhas principais . Pareceu-lhe conveniente dedicar o “Conceito Rosacruz do Cosmos” ao Dr. Rudolf Steiner para não ser acusado de plagiador. Teria sido um dano menor ter assumido este risco do que conferir a autoridade dos ensinamentos ao Dr. Rudolf Steiner. Tal dedicatória foi portanto um erro, que levou muitas pessoas a inferir que se tratava de uma síntese autorizada dos ensinamentos do Dr. Steiner, que seria o responsável pelas afirmações nele contidas . Tal inferência parecia antiética ao Dr. Steiner. Um exame das páginas 8 e 9, do Conceito Rosacruz do Cosmos, irá mostrar que Max Heindel jamais pretendeu provocar tal idéia, mas não faltaram acusações de oportunismo em desejar provocar o sucesso editorial da obra associando seu nome ao do famoso instrutor. Não vendo como transmitir a verdadeira idéia em uma sentença dedicatória, resolveu retirá-la , com um pedido de desculpas ao Dr. Steiner por algum aborrecimento que possa ter sido causado pelas conclusões apressadas que associaram seu nome como responsável pelas afirmações contidas no “Conceito Rosacruz do Cosmos”.
(4) Nota do editor: O autor se refere à Portugal.
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Por António Monteiro
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